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Encontro de Cultura Popular na Unesc promove oficinas e vivências para preservar tradições catarinenses

Resgatar brincadeiras, manifestações, músicas e saberes que fazem parte da identidade catarinense foi um dos objetivos do Encontro de Cultura Popular na Unesc, realizado nesta quinta e sexta-feira ...

Daniela Savi

Publicado por: Daniela Savi

em 21 de agosto de 2026

Tempo de leitura: 8 minutos.

Encontro de Cultura Popular na Unesc promove oficinas e vivências para preservar tradições catarinenses

Resgatar brincadeiras, manifestações, músicas e saberes que fazem parte da identidade catarinense foi um dos objetivos do Encontro de Cultura Popular na Unesc, realizado nesta quinta e sexta-feira (20 e 21/8). A programação reuniu diferentes atividades voltadas à valorização e à preservação das tradições, com oficinas e vivências destinadas a professores, estudantes e comunidade.

Entre as atividades esteve a oficina “Boi de Mamão nas Escolas e Comunidades: confecção, brincadeiras e reflexões sobre a cultura popular catarinense”, conduzida pela coordenadora do Setor de Arte e Cultura da Unesc, Amalhene Baesso Reddig, a Lenita, e pelo mestre José Marcondes, o Zé do Boi, por meio do Pontão CRIA. A proposta foi oferecer aos educadores conhecimentos e experiências para que a manifestação pudesse ser levada para as escolas e comunidades.

Para Lenita, o brincar teve papel fundamental na formação das crianças e também na preservação da cultura. “A criança aprende muito por meio da brincadeira. É brincando que ela experimenta o mundo, desenvolve a imaginação, cria, convive e também conhece a cultura do lugar onde vive. Por isso, trazer o Boi de Mamão para dentro da escola foi uma forma de proporcionar uma experiência de aprendizagem que envolve o corpo, a criatividade, a música, a história e a convivência”, destacou.

Segundo ela, a oficina também nasceu da necessidade de aproximar as novas gerações das brincadeiras tradicionais. “A gente vive um momento em que as telas ocupam muito espaço na vida das crianças. Não queremos negar a tecnologia, mas mostrar que existem outras possibilidades de brincar, de criar e de estar junto. O Boi de Mamão permite justamente essa experiência coletiva, em que todas podem participar, inventar e conhecer uma manifestação que faz parte da nossa história”, afirmou Lenita.

Durante a oficina, os participantes aprenderam sobre a estrutura do Boi de Mamão e acompanharam o processo de montagem do brinquedo. Cerca de 20 pessoas participaram da atividade. Como o tempo da oficina era reduzido, parte dos materiais chegou previamente preparada para que os participantes pudessem compreender as técnicas e, posteriormente, reproduzir o processo nas escolas.

A estrutura foi confeccionada com bambu, material leve e adequado para a utilização nas brincadeiras. “O bambu deixa o boi mais leve. Hoje ele pode estar molhado, mas depois de seco fica ainda mais leve para as crianças brincarem. A ideia foi ensinar o professor a fazer e, depois, ele levar esse conhecimento para a escola”, explicou Zé do Boi.

A formação também teve continuidade prevista nas escolas. O mestre se colocou à disposição para prestar assistência aos professores, auxiliando na continuidade do trabalho. “O professor vai levar essa experiência para a escola e montar o seu próprio boi com os alunos. O nosso objetivo é que isso não fique apenas aqui, mas que continue acontecendo nos espaços onde as crianças estão”, ressaltou.

 

Boi de Mamão como manifestação catarinense

O trabalho também buscou fortalecer o reconhecimento do Boi de Mamão como uma manifestação cultural genuinamente catarinense. Segundo Zé do Boi, a tradição está relacionada à presença açoriana em Santa Catarina e foi sendo construída e transformada pelas comunidades do estado.

“Quando você procura um livro de folclore brasileiro, muitas vezes encontra o Boi-Bumbá e o Bumba Meu Boi, mas não encontra o Boi de Mamão. Isso acontece porque ele é uma manifestação nossa. Ele nasceu aqui, foi criado aqui e foi batizado em Santa Catarina. Então nós temos que bater no peito e dizer que o Boi de Mamão é nosso”, afirmou.

A tradição, conforme explicou o mestre, chegou ao território catarinense com os açorianos e ganhou características próprias ao longo do tempo. “Nós precisamos valorizar aquilo que é nosso. O Boi de Mamão tem a nossa identidade, a nossa maneira de brincar e a nossa história. Quando levamos isso para uma criança, estamos dizendo para ela que a cultura da comunidade dela também tem valor”, acrescentou.

 

Cultura e brincar como direitos

A proposta da oficina também dialogou com o entendimento da cultura e do brincar como direitos fundamentais. A Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelece que todo ser humano tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, usufruir das artes e participar do progresso científico e de seus benefícios.

No Brasil, a Lei nº 15.145, de 9 de junho de 2025, instituiu o Dia Nacional do Brincar, celebrado anualmente em 28 de maio. A data contribui para ampliar a reflexão sobre a importância das brincadeiras no desenvolvimento infantil.

“O brincar é uma experiência de liberdade. A criança pode imaginar aquilo que não existe, inventar aquilo que não é possível e construir, junto com outras crianças, novas formas de estar no mundo. Quando a gente trabalha com uma manifestação como o Boi de Mamão, tudo isso acontece ao mesmo tempo”, observou Lenita.

A oficina também se relacionou à atuação da Unesc como Ponto de Cultura, fortalecendo o papel da Universidade como espaço de valorização dos saberes e manifestações das comunidades.

“Quando a Universidade abriu as portas para a cultura popular, ela reconheceu que conhecimento não estava apenas dentro dos livros ou das salas de aula. Existia conhecimento nas comunidades, nos mestres, nas brincadeiras, nas histórias e nas tradições. O nosso papel foi criar pontes e fazer com que esses saberes continuassem vivos”, afirmou Lenita.

 

Programação reuniu diferentes manifestações

O Encontro de Cultura Popular teve início na quinta-feira (20/8), com uma programação dedicada às manifestações tradicionais. Pela manhã, foram realizados encontros com o Boi de Mamão Egidiano, o Boi de Mamão do Caravaggio e o Boi da Serafina. No período da tarde, participaram o Boi de Mamão Ceaca, o Boi de Botas e o Boi da Fraternidade.

A programação também contou com uma apresentação de Pau de Fita, realizada pela Cia. de Dança Unesc, com a coreógrafa Paula Gregório, ampliando o contato do público com diferentes expressões da cultura popular.

Nesta sexta-feira (21/8), além da oficina sobre Cultura Popular nas Escolas e Técnicas de Produção de Boi de Mamão, ministrada por Amalhene Baesso Reddig e José Marcondes, o encontro contou com oficina de Percussão para Boi de Mamão, com Felipe Mendes.

Os participantes também tiveram a oportunidade de conhecer e praticar as Cantigas de Boi de Mamão, em atividade ministrada por Dyane Rosa. Outra experiência foi a oficina de Serigrafia com Figuras de Boi de Mamão, conduzida por Angelica Neumaier, aproximando a manifestação cultural de diferentes linguagens artísticas. Houve, ainda, a Oficina de fuxico, com Maria de Lourdes Casteler e Tamile Baesso Hobold.

A Unesc é Ponto de Cultura do Boi de Mamão, certificada pelo Ministério da Cultura, e tem como compromisso a promoção de atividades anuais voltadas ao fortalecimento da cultura.

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