A Unesc recebeu nesta segunda-feira (27/4) o empresário e fundador da Central Única das Favelas (Cufa), Celso Athayde, para o lançamento do livro “Humanos”, obra que sustenta um debate sobre desigu...
Publicado por: Marciano Bortolin
em 28 de abril de 2026
Tempo de leitura: 5 minutos.
A Unesc recebeu nesta segunda-feira (27/4) o empresário e fundador da Central Única das Favelas (Cufa), Celso Athayde, para o lançamento do livro “Humanos”, obra que sustenta um debate sobre desigualdade e mobilidade social a partir das periferias.
A obra, escrita em parceria com o filho Marcus Vinícius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da Cufa Global, apresenta uma leitura analítica e sensível do tráfico de drogas como reflexo de desigualdades estruturais. A partir de dados coletados com quase quatro mil pessoas em 23 estados, o livro evidencia que a maioria dos envolvidos é jovem, preta e possui vínculos familiares. Muitos relatam ingresso por falta de oportunidade e indicam que priorizariam a educação em outro cenário.
Natural de Nilópolis, na Baixada Fluminense, Celso Athayde resgata a experiência de infância marcada pela ruptura familiar e pela vivência nas ruas dos 6 aos 12 anos. “Para quem viveu na rua, ir para uma favela era um grande acontecimento”, salienta.
A trajetória, marcada por situações limite, percorre o trabalho informal, o comércio ambulante e a organização de eventos culturais em Madureira, experiência que contribui para a consolidação de movimentos ligados ao hip-hop no país.
Ao longo desse percurso, Athayde estrutura uma leitura de narrativas tradicionais sobre a periferia. “Favela não é carência, é potência”, afirma.
A afirmação mostra uma mudança de perspectiva ao deslocar o olhar assistencialista e reposicionar a favela como espaço de produção, criatividade e capacidade econômica, ainda que inserida em um cenário desigual.
Fundada há quase três décadas, a Cufa consolida-se como uma rede presente em dezenas de países. Segundo Athayde, o movimento mantém forte atuação no Brasil e avança em um processo de internacionalização que inclui iniciativas na Europa e na África.
“A Cufa não é o que eu penso, mas sim a soma das diferenças de pensamento de quem faz parte dela”, destaca.
Paralelamente, o empresário consolida atuação no campo do empreendedorismo social, com participação em diferentes negócios e projetos que conectam economia e impacto. A presença em eventos internacionais, como o Fórum Econômico Mundial, destaca o alcance dessa trajetória.
O pró-reitor de Administração e Finanças da Unesc, José Otávio Feltrin, situa a presença de lideranças externas como parte de um movimento da Universidade em ampliar o diálogo com a sociedade.
“Compreender as relações entre diversidade e contexto social é um eixo relevante dentro da atuação institucional. Por ser comunitária, a nossa Universidade expressa um compromisso direto com a sociedade. Isso precisa ser conhecido e valorizado. Receber pessoas aqui nos engrandece. A troca de conhecimento acontece em todos os espaços, seja em uma reunião formal ou em uma conversa de corredor”, afirma.
A presidente do DCE, Camila Jacoby, destaca o protagonismo estudantil na construção do evento, enquanto a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), Normélia Ondina Lalau de Farias, insere a iniciativa em um percurso formativo que a Instituição consolida ao longo dos anos.
Professora há mais de três décadas, ela acompanha de perto a evolução das políticas voltadas à diversidade e às relações étnico-raciais no ambiente acadêmico. “A presença de diferentes vozes no espaço universitário amplia o campo de compreensão sobre as dinâmicas sociais e fortalece o compromisso com a inclusão. Essa troca é extremamente importante e soma aos esforços da universidade em promover inclusão e reflexão social. Atividades dessa natureza contribuem para evidenciar caminhos que ultrapassam os limites da formação acadêmica tradicional, ao integrar experiências, vivências e perspectivas distintas”, comenta.
A coordenadora da Secretaria de Diversidades e Políticas de Ações Afirmativas, Janaina Vitório destaca que aproximar os acadêmicos dessas pautas integra um movimento necessário para qualificar a formação e ampliar a compreensão sobre os múltiplos contextos de atuação profissional.
“Na psicologia social, sempre faço uma provocação: vamos ser psicólogos de quem e em quais territórios? É uma honra receber e apresentar a nossa Universidade. Quem vem à Unesc, conhece também um pouco da cidade de Criciúma”, pontua.
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