Pensar o futuro do comércio do Sul catarinense a partir dos desafios e das oportunidades da própria região foi o ponto de partida do encontro realizado durante o RetailTech CRIO – Inovação e Futuro...
Publicado por: Daniela Savi
em 24 de setembro de 2026
Tempo de leitura: 7 minutos.
Pensar o futuro do comércio do Sul catarinense a partir dos desafios e das oportunidades da própria região foi o ponto de partida do encontro realizado durante o RetailTech CRIO – Inovação e Futuro do Varejo, no Centro de Inovação Criciúma (CRIO), na tarde dessa terça-feira (22/9). A atividade reuniu lojistas, microempreendedores, empresários, representantes de entidades, especialistas, professores e trabalhadores da Unesc para discutir caminhos relacionados ao crescimento, à competitividade e à produtividade do setor.
Promovido pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc, o encontro discutiu dados, pesquisas e a experiência de quem atua diretamente no setor para identificar tendências e construir propostas voltadas ao desenvolvimento econômico regional.
A atividade foi conduzida pela gerente de Inovação e Empreendedorismo da Unesc e gestora do Centro de Inovação Criciúma (CRIO), professora doutora Elenice Padoin Juliani Engel, e pelo coordenador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc, professor doutor Afonso Valau Júnior.
A dinâmica colocou os participantes no centro das discussões. Eles foram distribuídos em três mesas, organizadas a partir de temas relacionados aos principais desafios identificados no comércio. Cada assunto contou com a participação de pelo menos um especialista e teve uma pergunta norteadora para conduzir as conversas.
Em cada mesa, os grupos tiveram 20 minutos para compartilhar percepções, experiências e possibilidades a partir da realidade vivenciada no dia a dia dos negócios. A proposta foi aproximar o diagnóstico produzido pelo Observatório das experiências de empresários, trabalhadores e demais representantes do setor.
Entre os temas discutidos estiveram a formação e a qualificação profissional, a valorização das carreiras no comércio, a gestão de pessoas, as mudanças nas relações de trabalho e nas expectativas das novas gerações, a melhoria do ambiente de negócios e o desenvolvimento regional. 
Também entraram na pauta a experiência do cliente, a transformação digital, o uso de tecnologias, a especialização dos negócios, a cooperação entre empresas e a integração do comércio com áreas como turismo, gastronomia, cultura e eventos.
Um dos direcionamentos levantados durante o encontro foi a necessidade de ampliar a oferta de cursos e capacitações de curta e média duração voltados a vendas, atendimento, negociação, gestão, comunicação, experiência do cliente e ferramentas digitais aplicadas ao comércio.
A aproximação entre empresas e instituições de ensino também apareceu como uma frente de trabalho, com o objetivo de aproximar os conteúdos de formação das competências demandadas pelo mercado regional.
A valorização das carreiras do comércio foi outro ponto discutido. Entre as propostas estão o estímulo a programas de aprendizagem e estágio, a formação de lideranças e o desenvolvimento interno dos trabalhadores, criando possibilidades de crescimento profissional dentro das empresas.
A gestão de pessoas também foi relacionada aos desafios atuais do setor. Capacitações para empresários e gestores em liderança, comunicação e desenvolvimento de equipes estão entre as ações apontadas, assim como práticas de reconhecimento, integração e construção de planos de carreira.
As discussões também trataram de fatores que ultrapassam a realidade individual de cada empresa. Uma das propostas levantadas foi a criação de um Programa de Melhoria do Ambiente de Negócios e Desenvolvimento do Comércio Regional, articulando empresas, entidades empresariais e poder público.
A iniciativa considera aspectos como simplificação, infraestrutura, mobilidade, logística, qualificação dos espaços comerciais e integração das ações do setor às estratégias de desenvolvimento regional.
Outro direcionamento é a criação de um Programa de Formação, Desenvolvimento e Valorização Profissional no Comércio, com foco na qualificação de trabalhadores, vendedores, lideranças e gestores em áreas como atendimento, vendas, experiência do cliente, liderança e tecnologias digitais.
A partir dos desafios identificados, os participantes também discutiram formas de transformar os direcionamentos em ações. Entre elas estão a realização de workshops e reuniões com empresários e instituições para definir prioridades, a elaboração de planos com metas, responsáveis, prazos e indicadores e a formação de parcerias entre empresas, associações, universidades, instituições de formação, empresas de tecnologia, startups e poder público.
O fortalecimento do associativismo também foi apontado como possibilidade para ampliar ações coletivas, como campanhas, eventos e iniciativas de valorização do comércio local.
Outra frente envolve a aproximação entre comércio, turismo, gastronomia, cultura e eventos, buscando aproveitar o fluxo de moradores e visitantes para ampliar a circulação de consumidores e a geração de negócios na região.
O acompanhamento de indicadores de emprego, número de empresas, vendas, comportamento do consumidor e digitalização também integra as propostas. A ideia é utilizar dados e inteligência de mercado para apoiar decisões e acompanhar os resultados das ações desenvolvidas.
“As discussões realizadas durante o encontro dialogam com o diagnóstico apresentado pelo InovaSul sobre as transformações pelas quais passa o comércio. O estudo aponta que a competição baseada exclusivamente em preço tende a perder espaço diante de fatores como especialização, qualidade, conhecimento técnico, atendimento personalizado e humanizado, experiência do cliente e capacidade de compreender o comportamento do consumidor”, disse Elenice.
Nesse cenário, tecnologia e conhecimento de mercado aparecem como ferramentas para apoiar a gestão e a criação de novos modelos de negócio. A integração entre os espaços físicos e digitais também é apontada como uma tendência para o setor. 
A construção das propostas, segundo a metodologia do projeto, busca justamente aproximar dados e realidade. O Observatório atua na sistematização e análise das informações levantadas, enquanto a participação dos diferentes atores permite incorporar ao diagnóstico as experiências de quem vivencia o comércio regional.
“O resultado esperado é um conjunto de direcionamentos que considere qualificação profissional, experiência do cliente, transformação digital, inovação, cooperação empresarial e melhoria do ambiente de negócios como frentes relacionadas ao desenvolvimento do comércio no Sul catarinense”, finalizou Afonso.
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