A Unesc deu início, nesta segunda-feira (17/8), à 17ª Jornada Acadêmica de Psicologia, que este ano tem como tema "Psicologia em movimento: tecnologia, integralidade e cuidado". Promovido pelo curs...
Publicado por: Mayara Cardoso
em 17 de agosto de 2026
Tempo de leitura: 6 minutos.
A Unesc deu início, nesta segunda-feira (17/8), à 17ª Jornada Acadêmica de Psicologia, que este ano tem como tema "Psicologia em movimento: tecnologia, integralidade e cuidado". Promovido pelo curso de Psicologia em parceria com o Centro Acadêmico, a DCE e a Atlética Tritão, o evento reúne estudantes e profissionais da área até sexta-feira (21/8), com mais de 50 minicursos e palestras, a primeira delas dedicada aos impactos da inteligência artificial na saúde mental.
A reitora em exercício da Unesc, Gisele Coelho Lopes, ressaltou aos participantes que lotaram o Auditório Ruy Hülse, a alegria de ver o protagonismo estudantil na organização evento, salientando que estes momentos fazem parte fundamental do percurso formativo e do desenvolvimento de competências que serão levadas para a vida e para o mundo do trabalho.
Gisele ressaltou ainda que o aprendizado construído ao longo da Jornada ultrapassa os limites do evento. "O futuro não é um lugar para o qual simplesmente caminhamos. Ele também é o resultado das nossas escolhas, dos conhecimentos, das relações e das oportunidades que começamos a construir já aqui no presente", afirmou a reitora em exercício em vídeo enviado especialmente para o evento.
A professora Graziela Giacomazzo, pró-reitora de Ensino da Universidade, representando presencialmente a reitoria, prestigiou a abertura e destacou a atualidade do tema escolhido para a Jornada. Pesquisadora da linha de tecnologia e inteligência artificial na educação, ela reforçou a urgência de a Psicologia dialogar com esse debate: "A gente precisa discutir, pensar a psicologia dentro desse contexto de uma cultura digital que nos atravessa. Não tenho dúvida de que a gente tá apenas na ponta do iceberg quando a gente fala sobre inteligência artificial, em qualquer campo da vida, em qualquer profissão”, destacou Graziela.
Para a coordenadora do curso, Rosemeri Vieira, é um grande orgulho acompanhar de perto e receber os estudantes para uma edição marcada da Jornada que será marcada por uma programação histórica, com mais de 50 minicursos disponíveis aos participantes. "Não tenho como mensurar o tamanho do orgulho de estar aqui, olhando para vocês, que já têm carinha de psicólogos", afirmou, ao agradecer à equipe organizadora, ao Centro Acadêmico, à DCE, à reitoria e à Atlética Tritão pelo empenho na realização do evento.
A abertura do evento contou ainda com a representação estudantil por meio do Diretório Central dos Estudantes (DCE), do Centro Acadêmico do curso e da Atlética Tritão.
A programação oficial de abertura teve como destaque a palestra "IA e Práticas Psicoterapêuticas: implicações, potenciais e limites", ministrada pela psicóloga doutora Karen Del Rio Szupszynski, integrante da Federação Latino-Americana de Terapia Cognitivo-Comportamental.
Durante a apresentação, a pesquisadora abordou a velocidade sem precedentes com que a inteligência artificial vem sendo incorporada ao cotidiano das pessoas, o que acontece de forma mais rápida, segundo ela, do que a adoção histórica da eletricidade, da internet, do rádio e dos smartphones. A partir de exemplos pessoais e profissionais, a palestrante refletiu sobre os riscos de se depositar confiança excessiva em ferramentas de IA generativa sem o devido senso crítico.
Um dos pontos centrais da fala foi a necessidade de os psicólogos psicoeducarem seus pacientes sobre o uso de inteligência artificial. Segundo a pesquisadora, é cada vez mais comum que pacientes recorram a chatbots como o ChatGPT para validar ou buscar orientações terapêuticas, o que exige atenção, já que as ferramentas são generativas e não foram desenvolvidas para orientação em saúde mental, não têm acesso ao plano de tratamento nem à história clínica de quem as consulta.
Karen apresentou ainda dados de pesquisas de 2026 que apontam que 95% dos brasileiros já utilizam IA de forma esporádica, sendo 68% no ambiente de trabalho e 78% entre estudantes. Para a palestrante, cabe aos profissionais da Psicologia se apropriarem do tema e orientarem a população sobre os diferentes tipos de inteligência artificial disponíveis e seus respectivos limites.
"A IA vai dar um conteúdo ok. Mas é um ok do que eu preciso naquele momento? É um ok do que eu preciso profundamente no problema que estou vivendo agora?", questionou, ao defender que a tecnologia pode ser uma aliada da prática clínica, desde que usada com responsabilidade e sem substituir o componente humano da relação terapêutica.
A 17ª Jornada Acadêmica de Psicologia da Unesc segue até sexta-feira (21/8), das 8h às 22h, no campus da Universidade. O evento é presencial e reúne, ao longo da semana, palestras e minicursos voltados à formação de estudantes e profissionais da área, com foco nas relações entre tecnologia, cuidado integral e prática psicológica.
A programação teve início com a palestra “Transtorno Bipolar para além do DSM e da TCC”, com o convidado Armando Macena de Lima Junior, psicólogo clínico, mestre em Psicologia e especialista em Transtornos do Humor e Terapia Cognitivo-Comportamental, na manhã desta segunda-feira.
Mais informações sobre a programação podem ser encontradas no site https://www.even3.com.br/xvii-jornada-academica-de-psicologia-unesc-psicologia-em-movimento-tecnologias-integralidade-e-cuidado-743393/.
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