A integração entre inteligência artificial, cultura e didática foi o grande elo das reflexões na noite desta quinta-feira (17/9), no Auditório Ruy Hülse, na Unesc. O evento integrou a programação o...
Publicado por: Décio Batista
em 18 de setembro de 2026
Tempo de leitura: 5 minutos.
A integração entre inteligência artificial, cultura e didática foi o grande elo das reflexões na noite desta quinta-feira (17/9), no Auditório Ruy Hülse, na Unesc. O evento integrou a programação oficial do 6º Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciências e Educação, cujo tema geral é “Inteligência Artificial e Saberes em Conexão: Ciência, Cultura e Sociedade em Diálogo”.
A conferência reuniu docentes, estudantes e pesquisadores para discutir o tema “Gestão da Aprendizagem e Autonomia: Formação Docente no Contexto da Inteligência Artificial - Além do Algoritmo”, conduzida pelo professor da Universidade Cesar Vallejo (UCV), Eduardo José Campechano-Escalona.
A abertura oficial das atividades da noite destacou o dinamismo da programação e o fortalecimento das redes de cooperação acadêmica entre a Unesc e instituições estrangeiras. Ao saudar o público, a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão, Vanessa Moraes de Andrade, enalteceu a presença do conferencista e convidou a comunidade acadêmica a continuar engajada no evento.
“Ao longo deste dia, fomos contemplados com uma série de atividades. Para dar continuidade às conexões, teremos agora a palestra de mais um convidado internacional, o professor Campechano, que já é nosso amigo e colabora há muitos anos com a Unesc, em parceria com o professor Alex Sander da Silva e outros docentes do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da nossa Universidade”.
A condução do debate ficou sob a responsabilidade do professor Alex. Ao se referir ao palestrante, pesquisador qualificado pelo Concytec/Renacyt do Peru, doutor em Ciências da Educação e mestre em Linguística, o mediador destacou a trajetória conjunta de investigação e publicações científicas construída entre os dois países.
“Uma breve contextualização deste trabalho, desta parceria que vem se desenvolvendo desde 2019. O professor Eduardo, da Universidade César Vallejo, no Peru, tem a capacidade de circular por diversas temáticas, não de maneira superficial, mas de maneira bastante aprofundada. Nos últimos anos, tem discutido muito essa questão da gestão da aprendizagem, porque ele é um pedagogo, um pesquisador, um divulgador científico e também coordenador do Fundo Editorial da Universidade de Santa Maria. Ele vai comentar sobre o trabalho que temos de parceria de publicação editorial”, disse o mediador.
Em sua conferência, o pesquisador peruano defendeu uma postura crítica diante do avanço algorítmico, provocando os participantes a enxergarem a educação para além da mera instrumentalização tecnológica. Para o especialista, o erro e o tatear do processo de aprendizagem são insubstituíveis pela máquina.
“O tema aborda a autonomia docente diante do uso da inteligência artificial como ferramenta. Quando falamos em ir além do algoritmo, defendemos que a educação não pode ser meramente instrumental. Ela é um processo de transformação social que também precisa admitir equívocos. Nem tudo pode ser perfeito, pois os erros também possibilitam novas aprendizagens”, destacou o palestrante.
Outro ponto central debatido pelo pesquisador foi a aplicação da inteligência artificial como aliada da investigação e da curadoria de informações científicas, ressaltando que a precisão dos resultados depende da capacidade do pesquisador em formular boas perguntas por meio dos prompts.
“A pesquisa é uma ferramenta muito legal para fazer isso, porque existem tantas bases de dados científicas e, com a IA, otimiza-se a busca de literatura científica especializada. Sempre que você souber buscar e souber dar instruções, poderá usar a IA para recuperar a literatura científica”, relatou.
Provocado sobre os desdobramentos éticos do uso de inteligência artificial no meio acadêmico e as formas de proteção da integridade autoral, Campechano alertou para os riscos de uma formação automatizada e cobrou maior protagonismo das universidades no treinamento de professores e acadêmicos.
“O plágio é uma preocupação porque também existem softwares especializados na detecção de textos produzidos por IA. E isso é uma preocupação para toda a comunidade científica, porque, se você pensar que nos venha outra pandemia, que tipo de profissionais vamos ter dentro de 10, 15 ou 20 anos? Como se vai enfrentar isso? É um dever da universidade formar novos profissionais, mas também capacitar os docentes nesses novos cenários”.
Ao término da exposição de 40 minutos, a sessão abriu espaço para perguntas da plateia, oportunizando uma reflexão coletiva sobre a soberania pedagógica do professor, a importância de abordagens interdisciplinares e a necessidade contínua de capacitação docente frente às transformações digitais no ensino superior.
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