Apresentação discutiu os efeitos da conexão permanente na vida dos trabalhadores e os desafios para promover o bem-estar e uma cultura de paz nas organizações
Publicado por: Marciano Bortolin
em 28 de outubro de 2026
Tempo de leitura: 11 minutos.
A hiperconectividade tem ampliado as exigências profissionais para além da jornada de trabalho e reduzido o tempo destinado à vida pessoal. Os efeitos desse cenário sobre a saúde dos trabalhadores e as relações nas organizações da palestra proferida pela reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, no 12º Congresso Internacional da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, na Colômbia.
Com o tema “Cultura de paz e saúde no trabalho: os desafios da hiperconectividade e do transbordamento do trabalho para a vida pessoal”, a apresentação integrou a programação do evento, dedicado ao bem-estar, ao trabalho e ao envelhecimento em contextos de paz.
Durante a explanação, Gisele destacou a responsabilidade das instituições na construção de ambientes profissionais que respeitem os limites humanos, promovam o diálogo e favoreçam o bem-estar. A reflexão abordou os efeitos da disponibilidade permanente, das interrupções constantes e da pressão por respostas imediatas sobre a saúde e a organização do trabalho.
“A paz não significa somente a ausência de conflitos, mas também a existência de condições que permitam o florescimento humano. Ambientes pautados pelo respeito, pela participação, pelo reconhecimento e pelo cuidado contribuem para relações mais saudáveis e melhores condições de trabalho”, enfatizou.
Trabalho além da jornada
A expansão das tecnologias de comunicação modificou as rotinas profissionais e ampliou a expectativa de disponibilidade dos trabalhadores. Mensagens fora do expediente, demandas simultâneas e a necessidade de respostas rápidas dificultam a separação entre as responsabilidades profissionais e a vida pessoal.
Na palestra, Gisele apresentou dados de um estudo da Eurofound sobre o contato profissional fora do horário de trabalho. Conforme os números citados, 80% dos entrevistados recebem comunicações relacionadas ao trabalho após o expediente, enquanto nove em cada dez respondem quando são contatados. Entre os motivos estão o senso de responsabilidade pelas tarefas, a expectativa das organizações e o receio de consequências negativas.
A palestra também abordou dados da Gallup sobre o bem-estar dos trabalhadores da América Latina e do Caribe. O levantamento apresentado apontou que 43% dos trabalhadores relataram estresse diário, seguido por sentimentos de tristeza, raiva e solidão.
Os indicadores reforçam a necessidade de rever práticas de gestão que incentivam a disponibilidade contínua e dificultam a recuperação física e emocional. “A construção de uma cultura de paz nas organizações exige práticas de gestão que reconheçam os limites humanos diante das exigências de produtividade, promovam a cooperação, garantam espaços de diálogo e permitam conciliar as responsabilidades profissionais com a vida pessoal”, citou.
Direito à desconexão digital
A organização das tarefas, a definição de prioridades e os critérios de comunicação estão entre os fatores que podem contribuir para ambientes profissionais mais saudáveis. Gisele defendeu a criação de acordos coletivos sobre o uso dos canais digitais, com regras claras para contatos fora do expediente e definição das situações excepcionais que justificam uma comunicação urgente.
A palestra também abordou a distribuição adequada das responsabilidades, a participação dos trabalhadores na melhoria das condições laborais e a valorização dos períodos de descanso. “A sobrecarga nem sempre decorre de dificuldades individuais, podendo estar relacionada à forma como o trabalho é organizado”, salientou.
Outro ponto destacado foi o tecnoestresse, associado às dificuldades de adaptação às tecnologias da informação e comunicação, à sobrecarga de informações e à pressão por produtividade. A incorporação crescente de ferramentas digitais e de inteligência artificial também gera incertezas sobre as funções profissionais e as exigências de atualização constante.
“Podemos enviar mensagens a qualquer momento, mas isso não significa que devamos esperar uma resposta imediata”, ressaltou Gisele ao defender o direito à desconexão digital e a construção de uma cultura organizacional que respeite o tempo livre.
Cultura de paz nas organizações
A conferência foi concluída com uma reflexão sobre três dimensões consideradas fundamentais para transformar as relações de trabalho: liderança, bem-estar e educação para a paz. Para Gisele, gestores comprometidos com a qualidade de vida podem contribuir para mudanças nas equipes e nas instituições.
O bem-estar, por sua vez, envolve aspectos emocionais e sociais que ultrapassam a ausência de doenças. Já a educação para a paz favorece formas de convivência baseadas no respeito, na cooperação e na prevenção da violência. “A paz não deve ficar somente no discurso, mas precisa se transformar em uma prática cotidiana”, completou.
Abaixo, a versão em espanhol:
A continuación, la versión en español:
La rectora en funciones de la Unesc, Gisele Coelho Lopes, ofrece una conferencia sobre hiperconectividad y salud laboral en Colombia
La presentación abordó los efectos de la conexión permanente en la vida de los trabajadores y los desafíos para promover el bienestar y una cultura de paz en las organizaciones
La hiperconectividad ha ampliado las exigencias profesionales más allá de la jornada laboral y ha reducido el tiempo dedicado a la vida personal. Los efectos de este escenario en la salud de los trabajadores y en las relaciones dentro de las organizaciones fueron el eje de la conferencia impartida por la rectora en funciones de la Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, durante el 12.º Congreso Internacional de la Facultad de Ciencias Jurídicas y Sociales, en Colombia.
Bajo el título “Cultura de paz y salud en el trabajo: los desafíos de la hiperconectividad y la prolongación del trabajo en la vida personal”, la presentación formó parte de la programación del evento, dedicado al bienestar, al trabajo y al envejecimiento en contextos de paz.
Durante su exposición, Gisele destacó la responsabilidad de las instituciones en la construcción de entornos laborales que respeten los límites humanos, promuevan el diálogo y favorezcan el bienestar. La reflexión abordó los efectos de la disponibilidad permanente, las interrupciones constantes y la presión por obtener respuestas inmediatas sobre la salud y la organización del trabajo.
“La paz no significa solamente la ausencia de conflictos, sino también la existencia de condiciones que permitan el florecimiento humano. Los entornos basados en el respeto, la participación, el reconocimiento y el cuidado contribuyen a relaciones más saludables y a mejores condiciones de trabajo”, destacó.
El trabajo más allá de la jornada laboral
La expansión de las tecnologías de la comunicación ha modificado las rutinas profesionales y aumentado las expectativas de disponibilidad de los trabajadores. Los mensajes fuera del horario laboral, las demandas simultáneas y la necesidad de responder rápidamente dificultan la separación entre las responsabilidades profesionales y la vida personal.
Durante la conferencia, Gisele presentó datos de un estudio de Eurofound sobre el contacto profesional fuera del horario laboral. Según las cifras citadas, el 80 % de las personas encuestadas recibe comunicaciones relacionadas con el trabajo después de la jornada, mientras que nueve de cada diez responden cuando reciben estos contactos. Entre los motivos figuran el sentido de responsabilidad por las tareas, las expectativas de las organizaciones y el temor a consecuencias negativas.
La rectora también mencionó datos de Gallup sobre el bienestar de los trabajadores de América Latina y el Caribe. El estudio presentado indicó que el 43 % de los trabajadores manifestó experimentar estrés a diario, seguido de sentimientos de tristeza, ira y soledad.
Estos indicadores refuerzan la necesidad de revisar las prácticas de gestión que fomentan la disponibilidad continua y dificultan la recuperación física y emocional. “La construcción de una cultura de paz en las organizaciones exige prácticas de gestión que reconozcan los límites humanos frente a las exigencias de productividad, promuevan la cooperación, garanticen espacios de diálogo y permitan conciliar las responsabilidades profesionales con la vida personal”, señaló.
Derecho a la desconexión digital
La organización de las tareas, la definición de prioridades y los criterios de comunicación son algunos de los factores que pueden contribuir a entornos laborales más saludables. Gisele defendió la creación de acuerdos colectivos sobre el uso de los canales digitales, con reglas claras para los contactos fuera del horario laboral y la definición de las situaciones excepcionales que justifican una comunicación urgente.
La conferencia también abordó la distribución adecuada de las responsabilidades, la participación de los trabajadores en la mejora de las condiciones laborales y la importancia de los períodos de descanso. “La sobrecarga no siempre se debe a dificultades individuales, sino que puede estar relacionada con la forma en que se organiza el trabajo”, subrayó.
Otro aspecto destacado fue el tecnoestrés, asociado a las dificultades de adaptación a las tecnologías de la información y la comunicación, la sobrecarga de información y la presión por la productividad. La creciente incorporación de herramientas digitales y de inteligencia artificial también genera incertidumbre sobre las funciones profesionales y las exigencias de actualización constante.
“Podemos enviar mensajes en cualquier momento, pero eso no significa que debamos esperar una respuesta inmediata”, afirmó Gisele al defender el derecho a la desconexión digital y la construcción de una cultura organizacional que respete el tiempo libre.
Cultura de paz en las organizaciones
La conferencia concluyó con una reflexión sobre tres dimensiones consideradas fundamentales para transformar las relaciones laborales: liderazgo, bienestar y educación para la paz. Según Gisele, los responsables de equipos comprometidos con la calidad de vida pueden contribuir a generar cambios en los grupos de trabajo y en las instituciones.
El bienestar, por su parte, comprende aspectos emocionales y sociales que van más allá de la ausencia de enfermedades. La educación para la paz favorece formas de convivencia basadas en el respeto, la cooperación y la prevención de la violencia. “La paz no debe quedarse únicamente en el discurso, sino convertirse en una práctica cotidiana”, concluyó.
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