No auditório Jayme Zanatta da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), tomado por lideranças, educadores e representantes do terceiro setor, a discussão sobre o futuro das instituições ganhou con...
Publicado por: Marciano Bortolin
em 28 de abril de 2026
Tempo de leitura: 5 minutos.
No auditório Jayme Zanatta da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), tomado por lideranças, educadores e representantes do terceiro setor, a discussão sobre o futuro das instituições ganhou contornos estratégicos no 5º Fórum de Inovação Social da Abadeus. Nesse cenário, a reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, sustentou a governança como elemento central para conectar propósito, pessoas e impacto.
Ao lado de Silvia Marafon e Moris Kohl, Gisele participou do painel “Governança como ponte entre propósito, pessoas e impacto”, no qual defendeu o papel das instituições de ensino como estruturas capazes de projetar futuros e reconfigurar trajetórias sociais. “A educação é uma das maiores tecnologias de inovação social. Ela não está orientada apenas ao novo, mas à melhoria das condições de vida das pessoas”, afirmou.
A fala posiciona a Universidade como vetor de transformação, sobretudo quando desloca indivíduos de contextos de invisibilidade para cenários de autonomia e protagonismo. “O modelo educacional precisa ultrapassar os limites físicos da instituição e dialogar com a realidade. Na Unesc, por exemplo, possuímos a Graduação Multi, método que une aprendizagem e prática”, citou.
Ao aprofundar o debate, Gisele destacou que a governança não se restringe a instrumentos administrativos, mas integra uma dinâmica que organiza responsabilidades e sustenta decisões com base em propósito compartilhado. “A Universidade tem a função de promover o encontro entre o conhecimento rigoroso e a experiência concreta. É isso que forma sujeitos capazes de intervir na realidade”, falou.
Conforme a reitora em exercício, essa perspectiva distingue as instituições de ensino superior como espaço formativo que não produz apenas mão de obra, mas pensamento crítico. Em um cenário marcado pela aceleração tecnológica, ela reforçou que o desafio contemporâneo não está na substituição do ser humano, mas na elevação das exigências cognitivas. “As empresas não precisam mais de operadores, precisam de cérebros. Precisam de pessoas que pensem e resolvam problemas”, ressaltou.
“A Universidade atua como mediadora entre conhecimento estruturado e demandas concretas da sociedade, consolidando um percurso formativo ancorado na análise, no discernimento e na capacidade propositiva”, acrescentou.
Outro eixo abordado no painel foi a experiência no processo formativo, sobretudo na educação de adultos. Para Gisele, o aprendizado se consolida quando o estudante vivencia a realidade e compreende suas múltiplas dimensões. “A experiência não é aquilo que se assiste, mas sim o que se vive”, destacou.
Nesse contexto, a aproximação com a comunidade atua como estratégia estruturante. O contato direto com diferentes realidades amplia repertórios, tenciona percepções e impulsiona transformações individuais, movimento que, na leitura de Gisele, sustenta a função social da Universidade.
Ao abordar a trajetória institucional, a reitora em exercício reforçou o caráter comunitário da Unesc como elemento estruturante da governança. Para ela, a construção coletiva impõe complexidade, mas também legitima decisões e amplia a capilaridade das ações.
O planejamento institucional, revisitado periodicamente, envolve múltiplos atores em um processo que estabelece um padrão de participação que fortalece o vínculo entre Universidade e território. “Quem ocupa uma função de gestão não responde por si, mas por uma coletividade e por uma trajetória histórica”, afirmou.
O painel também abriu espaço para refletir sobre a convivência entre diferentes gerações nas organizações. Para Gisele, o desafio contemporâneo não está em hierarquizar comportamentos, mas em compreender as mudanças em curso. “Cada geração reposiciona o mundo. Nenhuma está errada”, afirmou.
Ela destacou que as novas gerações operam a partir de propósito, causas e sentido, além de priorizarem relações mais horizontais e feedbacks diretos. Ignorar esse movimento, segundo a gestora, compromete a capacidade das instituições de se manterem relevantes.
Ao encerrar a participação, a gestora sintetizou os fundamentos que sustentam a inovação social: coragem para mudar, competência para executar e compromisso com as pessoas. “O futuro não será construído por quem espera condições ideais, mas por quem decide melhorar o mundo com as condições que tem hoje”, concluiu.
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