Inteligência artificial, hiperconectividade, crise de pertencimento e novas exigências do mercado conduziram a aula inaugural dos novos cursos da Unesc Araranguá nesta semana. Diante de estudantes ...
Publicado por: Marciano Bortolin
em 15 de maio de 2026
Tempo de leitura: 6 minutos.
Inteligência artificial, hiperconectividade, crise de pertencimento e novas exigências do mercado conduziram a aula inaugural dos novos cursos da Unesc Araranguá nesta semana. Diante de estudantes e lideranças regionais, a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, sustentou que o profissional do futuro precisará combinar domínio técnico, capacidade analítica e competências humanas para sustentar a relevância profissional em um cenário de mudanças aceleradas. O encontro marcou oficialmente o início das atividades dos cursos de Inteligência Artificial, Mídias Sociais Digitais, Educação Física e Nutrição no Vale do Araranguá.
Com a palestra “Profissões do futuro e a qualidade do ambiente de vida: por que inovação sem pessoas não transforma territórios?”, Gisele apresentou um panorama sobre as reconfigurações do mundo do trabalho e os impactos sociais, econômicos e emocionais provocados pelas novas tecnologias. “Nunca tivemos tanta tecnologia e, paradoxalmente, tantas pessoas cansadas, ansiosas e desconectadas de propósito”, afirmou.
Na sequência, Gisele citou levantamento do Future of Jobs/Afferolab segundo o qual 59 em cada 100 profissionais precisarão de requalificação drástica até 2030. Desse total, 29 serão requalificados nos cargos atuais, 19 deverão ser realocados internamente e 11 correm risco de exclusão do mercado caso não haja intervenção.
“O trabalhador do futuro não compete com a IA; ele a orquestra. As funções de maior crescimento como especialistas em inteligência artificial, engenheiros verdes, profissionais de cuidado, exigem capacidade de resolver problemas complexos que a máquina ainda não alcança. O mundo do trabalho de 2030 recompensa desproporcionalmente as habilidades que são difíceis de codificar como criatividade, ética, curiosidade e liderança social. Até lá, cerca de 44% das competências profissionais precisarão ser atualizadas”, relatou.
Ao longo da apresentação, a gestora destacou que o avanço tecnológico não elimina a necessidade da presença humana, mas amplia a importância de habilidades ligadas à empatia, criatividade, comunicação e adaptação. “O mundo do trabalho continuará contratando competências técnicas, mas promoverá e manterá pessoas capazes de gerar confiança, cooperação e inovação com propósito. A inteligência artificial é uma ferramenta, não é fim. A pergunta é: o que você fará com aquilo que ela gera para você?”, observou.
Gisele detalhou, ainda, que a definição dos novos cursos ofertados em Araranguá ocorreu a partir de estudos realizados pela Instituição sobre o perfil econômico e social da região da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc). “Não há desenvolvimento sem pessoas. A Unesc estudou o território e preparou um portfólio alinhado às competências necessárias para o profissional que o mundo do trabalho precisa”, ressaltou.
Entre os destaques está o curso de Inteligência Artificial, apresentado como eixo estratégico para uma sociedade cada vez mais conectada por dados, automação e sistemas inteligentes. Para Gisele, o debate sobre cidades inteligentes ultrapassa a dimensão tecnológica e passa pela construção de soluções voltadas à vida cotidiana das pessoas.
Já o curso de Mídias Sociais Digitais surge em um contexto no qual o comércio regional passou a competir em escala global. “Atualmente nós não competimos apenas com a loja da esquina, mas com o mundo”, enfatizou a reitora em exercício ao defender a necessidade de profissionais preparados para atuar com comunicação digital, plataformas de marketplace e posicionamento estratégico.
Na área da saúde e qualidade de vida, Gisele associou os cursos de Nutrição e Educação Física às transformações demográficas e ao crescimento da chamada economia da longevidade. “Setores ligados à alimentação saudável, saúde preventiva, atividade física e performance cognitiva estão entre os segmentos de maior expansão global”, reforçou
Um dos eixos centrais da palestra esteve relacionado à ideia de “ambiente de vida” como diferencial competitivo para cidades, empresas, universidades e regiões. Para Gisele, os territórios deixarão de disputar apenas investimentos financeiros e passarão a disputar talentos, saúde, pertencimento e qualidade de vida. “O desenvolvimento regional do século 21 será medido não apenas pelo PIB, mas pela capacidade de produzir ambientes onde as pessoas consigam viver, trabalhar, inovar e permanecer”, destacou.
A reitora em exercício também chamou atenção para o avanço do adoecimento emocional e para os impactos provocados pelo excesso de informação e pela hiperconectividade. Dados apresentados durante a exposição apontam que ansiedade e depressão geram perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo.
“A transição para a era da inteligência artificial exige investimento simultâneo em desenvolvimento humano. O diferencial competitivo da próxima década não será o algoritmo que você usa, mas a qualidade de vida e a resiliência biológica das pessoas que o comandam”, afirmou.
Em um dos momentos mais pessoais da fala, Gisele relembrou o início da própria trajetória profissional aos 14 anos em uma fábrica de confecção. A experiência, segundo ela, ajudou a construir disciplina, percepção coletiva e capacidade de superação. “Sucesso dá trabalho. Eu prefiro usar a palavra êxito. O êxito é saber onde eu quero chegar e acompanhar cada passo desse processo. O mundo só muda com pessoas inquietas, pessoas que não se contentam com o que está posto, mas avançam, colaboram e constroem pontes”, concluiu.
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