Nem tudo pode ser compreendido apenas pelos livros. Às vezes, é preciso ir até o território, ouvir, observar e sentir. Foi assim que a experiência na aldeia Tekoá Marangatu em Imaruí, nesta terça-f...
Publicado por: Carla Giassi
em 16 de abril de 2026
Tempo de leitura: 5 minutos.
Nem tudo pode ser compreendido apenas pelos livros. Às vezes, é preciso ir até o território, ouvir, observar e sentir. Foi assim que a experiência na aldeia Tekoá Marangatu em Imaruí, nesta terça-feira (14/4) integrou a programação da 8ª Semana Indígena da Unesc, ampliando olhares e provocando novas formas de compreender os povos indígenas na atualidade.
A visita proporcionou uma imersão na cultura Guarani, aproximando os participantes das vivências, tradições e da organização da comunidade. “Na aldeia Tekoá Marangatu, a experiência revelou uma realidade que desafia estereótipos e evidencia que os povos indígenas estão em constante movimento, conectados ao presente sem abrir mão de suas raízes. O uso de celulares, drones, escola bilíngue e até pagamentos via QR Code mostra como tradição e contemporaneidade coexistem no cotidiano da comunidade”, avalia a professora e gestora do Setor de Arte e Cultura da Unesc e do Museu da Infância, Amalhene Baesso Reddig
Ao chegar à aldeia, o grupo se deparou com uma realidade que integra tradição e atualidade: uso de tecnologias e formas de organização. “Estar no território indígena possibilita reconhecer a potência do intercâmbio cultural e compreender, na prática, diferentes formas de ver e viver o mundo. A experiência tem um valor significativo, especialmente no contexto universitário”, destacou.
A professora também reforçou a importância de rever percepções ainda enraizadas na sociedade. “É um convite a desconstruir estereótipos e perceber que há um processo cultural em constante evolução”, completou.
A visita também reuniu representantes de diferentes setores da Unesc, como o Setor de Arte e Cultura, Museu da Infância, Colégio Unesc e cursos de graduação, reforçando o caráter interdisciplinar da ação.
Muito além de data simbólica, o Abril Indígena convida à reflexão, propondo superar visões ultrapassadas e construir um olhar mais amplo sobre os povos indígenas e suas realidades. O professor do curso de História e dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Direito (PPGCA/PPGD), Juliano Bitencourt Campos, um dos coordenadores do Abril Indígena, reforça a necessidade de aprofundar essa discussão no ambiente acadêmico.
“O Abril Indígena não é uma data comemorativa, mas um momento de reflexão e de compromisso com os povos indígenas. Diferente da antiga lógica do ‘Dia do Índio’, que já não dá conta da complexidade dessa realidade, hoje compreendemos que estamos falando de uma diversidade de nações, com mais de 274 línguas e diferentes modos de vida” enfatizou o professor Juliano, que também faz parte do Laboratório de Arqueologia Pedro Ignácio Schmitz (Lapis) da Unesc.
Ao longo de todo o mês, conforme Juliano, a Universidade se mobiliza para ampliar essa compreensão, trazendo o debate para dentro de diferentes áreas do conhecimento e reforçando a importância de reconhecer, valorizar e fortalecer a luta pelos direitos dos povos indígenas.
Ao longo do mês de abril, a 8ª Semana Indígena – Abril Indígena Unesc, com o tema “Territórios de Saberes: Memória, Resistência e Direitos Indígenas”, apresenta uma programação com rodas de conversa, oficinas, palestras, exibições de filmes, feira de arte e artesanato indígena, além de atividades educativas e culturais que aproximam os saberes acadêmicos dos saberes tradicionais.
A proposta é fortalecer a valorização dos povos indígenas e ampliar o diálogo entre diferentes formas de conhecimento. A iniciativa reúne uma ampla rede de setores, cursos e programas da Universidade, articulados pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) e pelo curso de História, com o objetivo de promover reflexões sobre ancestralidade, cultura e direitos dos povos indígenas no contexto contemporâneo.
Participam como apoiadores, PPGCA, PPGDS, PPGSCol, PPGE, PPGD, Lapis Unesc, Escola de Lideranças, Grupo de Estudo e Pesquisa em História Ambiental e Educação (GEPHAE), cursos de Artes Visuais, Medicina, Ciências Biológicas e Enfermagem, Setor de Arte e Cultura, Cedoc, Museu da Infância e Colégio Unesc.
Entre os destaques da programação, estão os dias 27 e 28 de abril, quando lideranças indígenas estarão na Unesc para ministrar palestras, ampliando ainda mais o espaço de escuta, troca e aprendizado.
A programação completa pode ser conferida no material abaixo e também nas redes sociais do curso de História (https://www.instagram.com/p/DW9NFtdjqnS/?img_index=1) , Neabi Unesc (https://www.instagram.com/neabi_unesc/ ) e Lapis Unesc (https://www.instagram.com/lapis__unesc/ )
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