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Unesc inicia curso Nacional de Formação de Lideranças Comunitárias e Sociais

A Unesc deu início, recentemente, ao Curso Nacional de Formação de Lideranças Comunitárias e Sociais, iniciativa vinculada ao Programa Escola de Lideranças e financiada pelo Coordenação de Aperfeiç...

Daniela Savi

Publicado por: Daniela Savi

em 17 de março de 2026

Tempo de leitura: 8 minutos.

Unesc inicia curso Nacional de Formação de Lideranças Comunitárias e Sociais

A Unesc deu início, recentemente, ao Curso Nacional de Formação de Lideranças Comunitárias e Sociais, iniciativa vinculada ao Programa Escola de Lideranças e financiada pelo Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio do PROEXT-PG. A aula inaugural marcou o começo das atividades e reuniu, de forma virtual, lideranças de diferentes regiões do Brasil.

A formação é coordenada pelo Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD) e desenvolvida de forma integrada com todos os programas de pós-graduação da Universidade, reforçando o caráter interdisciplinar da proposta e o compromisso institucional com o desenvolvimento social. São eles:

Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS), Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA), Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Programa de Pós-Graduação em Gestão em Saúde (PPGGS), Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSCOL), Programa de Pós-Graduação em Sistemas Produtivos (PPGSP) e Programa de Pós-Graduação em Ciências e Engenharia de Materiais (PPGCEM).

Com carga horária de 100 horas, o curso será realizado em formato virtual, com encontros semanais, e tem como principal objetivo fortalecer a cidadania, qualificar a atuação das lideranças em seus territórios e ampliar a participação social nos processos de formulação, implementação e controle de políticas públicas.

A iniciativa despertou grande interesse em todo o país. O processo seletivo contabilizou quase 400 inscrições de lideranças comunitárias e sociais, evidenciando a relevância e a demanda por espaços de formação voltados à organização comunitária e ao protagonismo social. Diante da expressiva procura, foram estruturadas duas turmas simultâneas, reunindo cerca de 200 participantes.

Logo no primeiro encontro, a diversidade marcou presença. Lideranças das regiões Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste participaram da aula inaugural, totalizando representantes de 21 estados, mais de 100 municípios e uma ampla variedade de movimentos sociais.

"As interações também evidenciaram a pluralidade dos grupos envolvidos, com a participação de representantes de movimentos sociais, pastorais, comunidades quilombolas, associações comunitárias, organizações religiosas com atuação social, conselhos de direitos, coletivos culturais, organizações do campo e iniciativas de educação popular", mencionou o coordenador do Programa Escola de Lideranças e do Programa de Pós-Graduação em Direito da Unesc, professor doutor Reginaldo de Souza Vieira.

Durante a aula inaugural, os participantes conheceram a estrutura do curso, os módulos formativos e a proposta pedagógica, orientada à formação crítica e ao fortalecimento de redes de atuação social.

Formação para fortalecer redes de atuação social

Para Vieira, a proposta do curso é fortalecer redes de atuação social em diferentes territórios do país. “A ideia é que possamos seguir juntos, aprendendo conjuntamente e construindo este processo formativo. Muitos parceiros que hoje atuam conosco na defesa dos direitos humanos surgiram justamente a partir de cursos como este. Muito obrigado por aceitarem a provocação de fazer esse curso conosco e sejam todos e todas muito bem-vindos”, destacou o professor.

Representando a reitoria da Universidade na abertura institucional, a diretora de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias da universidade, professora doutora Sheila Martignago Saleh, ressaltou a importância da troca de saberes entre Universidade e comunidades.

“Entre os mais de 200 projetos que a Unesc desenvolve, o curso de lideranças nos dá muito orgulho, especialmente pela sua abrangência nacional. Ao ver as cidades e estados representados aqui, percebemos a riqueza de culturas e experiências que essa turma reúne. Aproveitem muito esse espaço de troca e multipliquem esse conhecimento em seus territórios”, afirmou.

O professor doutor Dimas de Oliveira Estevam, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS), também destacou a relevância e a consolidação da iniciativa no cenário nacional.

“É um prazer participar desse curso de lideranças, que já é uma referência em nível nacional e que, a cada ano, se mostra ainda mais consolidado. Parabéns ao professor Reginaldo, à Unesc e a toda a organização. Para nós é uma alegria estar junto com essa equipe de lideranças”, disse.

Na mesma perspectiva, a profª. Dra. Josiane Budni, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), enfatizou a importância de aproximar o conhecimento científico das demandas da sociedade.

“Muito importante essa iniciativa para alinhar a ciência com a comunidade. Os programas de pós-graduação da UNESC contribuem ao levar conhecimento para a população e ao apoiar a formação de lideranças comunitárias, aproximando cada vez mais a universidade da sociedade.”

Para Graziela Cristina Luiz Damacena Gabriel, coordenadora de Relações Internacionais do Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares (FCNCT), a formação de lideranças é fundamental para fortalecer processos democráticos e ampliar a defesa de direitos.

“Não existe transformação social verdadeira sem formação, sem participação popular e sem lideranças comprometidas com o coletivo. Investir na formação de lideranças comunitárias e sociais é investir em democracia, em direitos humanos e em justiça social", enfatizou.

Depoimentos das lideranças

A diversidade de experiências e territórios também se refletiu nas apresentações feitas pelos participantes durante o encontro. Lideranças comunitárias de diferentes estados compartilharam suas trajetórias de atuação social e os desafios enfrentados em seus territórios.

A militante Dayane Macedo, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do assentamento Vale da Conquista, no município de Sobradinho (BA), destacou a importância de iniciativas de formação voltadas às lideranças populares.

“Sou militante do MST na região norte da Bahia e atualmente também atuo no serviço público. Espaços de formação como este são fundamentais para fortalecer nossa atuação nas comunidades e ampliar o diálogo sobre direitos e políticas públicas”, relatou.

Já Marcos Neto, conselheiro municipal de saúde e integrante de movimentos sociais em São Paulo, ressaltou a relevância do caráter nacional do curso.

“É muito importante ver a presença de lideranças do Norte, do Nordeste e de tantas outras regiões do país. Essa diversidade de experiências certamente vai enriquecer muito o processo formativo”, afirmou.

A liderança quilombola Eliane de Souza, do Quilombo Queimadas, no município de Água Branca (AL), também destacou o papel da formação para fortalecer as organizações comunitárias.

“Sou quilombola e atuo como liderança na associação da comunidade. A participação em espaços como este contribui para ampliar conhecimentos e fortalecer o trabalho que realizamos nos territórios”, compartilhou.

Ao longo da formação, as lideranças participantes irão aprofundar conhecimentos sobre direitos humanos, cidadania, democracia, políticas públicas e organização social, além de desenvolver em grupo propostas de intervenção em seus territórios. A expectativa é que os conhecimentos construídos e partilhados durante o curso contribuam para fortalecer iniciativas comunitárias e sociais, ampliando a participação social na formulação e no acompanhamento das políticas públicas.

A iniciativa conta ainda com a parceria de importantes redes e organizações da sociedade civil e do campo dos direitos humanos, entre elas o Observatório Latino-Americano de Investigação e Defesa dos Direitos Humanos Professor Antônio Carlos Wolkmer, a Rede Brasileira de Pesquisa Jurídica em Direitos Humanos (REDE-DH), o Coletivo Nacional de Pessoas com Albinismo (CNPA), o Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares e a Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Criciúma (OAB/Criciúma). Essas instituições contribuem para fortalecer o diálogo entre Universidade e sociedade, ampliando a articulação com movimentos sociais, organizações comunitárias e redes de defesa de direitos em diferentes regiões do país.

 

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