Geral

Inteligência Artificial e diálogo de saberes marcam lançamento do 6º Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciência e Educação

A Unesc realizou, na noite dessa terça-feira (9/6), o lançamento oficial do 6º Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciência e Educação. O evento reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e pr...

Daniela Savi

Publicado por: Daniela Savi

em 10 de junho de 2026

Tempo de leitura: 7 minutos.

Inteligência Artificial e diálogo de saberes marcam lançamento do 6º Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciência e Educação

A Unesc realizou, na noite dessa terça-feira (9/6), o lançamento oficial do 6º Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciência e Educação. O evento reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais para uma noite de reflexões sobre os impactos da Inteligência Artificial na ciência, na cultura e na sociedade, tema que norteará a sexta edição do congresso, que ocorrerá de 16 a 18 de setembro.

Com o tema principal “Inteligência Artificial e Saberes em Conexão: Ciência, Cultura e Sociedade em Diálogo”, a palestra de abertura proporcionou uma discussão sobre os desafios, as possibilidades e os limites das novas tecnologias nos diferentes campos do conhecimento.

A cerimônia contou com a presença da reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, da pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão, Vanessa Moraes de Andrade, e da diretora de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu Sabrina Arcaro.

Para Gisele, o grande desafio está em compreender os limites entre aquilo que pode ser realizado pelas pessoas e o que pode ser executado pelas máquinas. “O que se vê muitas vezes é outorgar à máquina a capacidade de responder o que ao que eu posso responder. A pergunta que está em curso é o que eu vou fazer com tudo isso que está à disposição e o quanto que eu vou criticar aquilo que está disponível. O quanto que eu vou provocar o nosso conhecimento a partir daquilo que já existe”, refletiu Gisele.

“Estamos na sexta edição de um congresso que nasceu voltado às áreas de Humanidades, Ciência e Educação, mas que, ao longo dos anos, ganhou proporções cada vez maiores. Hoje, é um evento construído por toda a Unesc, envolvendo cursos, setores e diferentes áreas do conhecimento. Contamos com uma grande equipe, formada por profissionais, professores e acadêmicos de toda a Universidade, que trabalham juntos para tornar este momento possível”, destacou Vanessa.

Conforme a coordenadora desta edição do Congresso, Camila Arent, a proposta é ampliar o debate científico e social em torno das transformações provocadas pela Inteligência Artificial. “O Ibero é um evento institucional que busca promover o diálogo entre ciência, educação, cultura e sociedade. Nesta edição, escolhemos discutir um tema cada vez mais presente em nossas vidas, que é a Inteligência Artificial. Que as reflexões aqui apresentadas tragam inspirações para os debates que construiremos ao longo do Ibero 2026”, destaca ela.

 

Abertura da programação da noite

O primeiro palestrante da noite foi o professor doutor Luciano Sathler que é doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP), ex-membro do Conselho Deliberativo do CNPq e integrante do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, Sathler atua atualmente como CEO da CertifikEDU, empresa dedicada à certificação de competências e habilidades com uso de blockchain e Inteligência Artificial.

Na palestra “Educação e Inteligência Artificial: das mudanças necessárias nas instituições educacionais”, ele refletiu sobre os desafios impostos pelas rápidas transformações tecnológicas e a necessidade de as instituições de ensino repensarem seus processos para atender às novas demandas da sociedade.

Ao abordar os impactos da Inteligência Artificial na produção científica, Sathler chamou atenção para o crescimento do uso da tecnologia na pesquisa acadêmica. Segundo ele, há um aumento considerável no número de artigos submetidos e publicados com apoio da IA, além da utilização da ferramenta em processos como revisão por pares. No entanto, alertou que quantidade não é sinônimo de qualidade. 

“Nas primeiras semanas deste ano, uma em cada 277 citações bibliográficas presentes em 2,5 milhões de artigos científicos da área biomédica foram inventadas por Inteligência Artificial”, destacou.

O palestrante também apresentou dados sobre a utilização da tecnologia por pesquisadores. Conforme estudos recentes, 57% utilizam a IA como assistência na escrita acadêmica, 47% recorrem à ferramenta para identificar erros ou possíveis vieses em seus próprios trabalhos e 35% a empregam para verificar a ocorrência de plágio não intencional.

O pesquisador também apresentou possíveis caminhos para enfrentar essas questões, como a ampliação da transparência nos pareceres, a qualificação dos avaliadores e a realização de estudos que permitam testar e validar melhorias. A principal mensagem da apresentação foi a de que não existe uma solução única para os desafios da revisão por pares, sendo necessário combinar diferentes estratégias para tornar o processo mais confiável, transparente e alinhado às evidências científicas. 

Na sequência, o professor doutor Leonardo A. Pachón, da Colômbia, quem falou para os presentes. Físico, doutor em Ciências Físicas pela Universidad Nacional de Colombia, com estágios pós-doutorais na Universidade de Toronto e na Universidade de Harvard, Pachón é reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em Inteligência Artificial e Sistemas Complexos.

Durante a palestra “Del quinto paradigma al diálogo de saberes: la inteligencia artificial entre la ciencia, la cultura y la sociedad”, o pesquisador apresentou reflexões sobre a evolução dos paradigmas científicos e o papel da IA na construção de conexões entre diferentes formas de conhecimento.

Após as exposições, o público participou de um momento de interação, com perguntas e contribuições mediadas pelos professores Kristian Madeira e Thiago Henrique Almino Francisco.

Congresso ocorre em setembro

Nesta edição, a estrutura científica do evento será organizada em cinco eixos temáticos articulados entre os Programas de Pós-Graduação envolvidos na realização do congresso.

Entre os temas estão Ciência, Ética e Transformações Contemporâneas; Educação, Cultura e Produção de Saberes; Tecnologia, Inovação e Inteligência Artificial; Sustentabilidade, Território e Desenvolvimento Humano; e Saúde, Sociedade e Bem-Estar Coletivo. “Os GTs deverão estar vinculados a um desses eixos e poderão abordar diferentes perspectivas teóricas, metodológicas e campos de investigação”, acrescenta Camila.

Entre os critérios para submissão das propostas estão a participação de, no mínimo, dois e, no máximo, três coordenadores; a exigência de titulação de doutorado para os proponentes; e a composição interinstitucional da coordenação, com pelo menos um integrante vinculado a instituição diferente dos demais participantes. Todos os proponentes devem estar previamente inscritos no evento.

Além disso, cada proposta deverá conter resumo entre 250 e 300 palavras, contemplando objetivos, temática central, referenciais teóricos, aspectos metodológicos e orientações gerais para submissão de trabalhos, quando necessário.

Os coordenadores dos GTs aprovados terão isenção da taxa de inscrição no congresso.

Mais informações acesse www.unesc.net/ibero.

 

 

Tags:

Geral

Copyright 2026 © UNESC. Todos los derechos reservados. Política de privacidad

Unirse al grupo