A passarela do Auditório Ruy Hülse, na Unesc, foi o trajeto mais aguardado em mais uma cerimônia formal de colação de grau. Desfilando sob aplausos emocionados de familiares e amigos, cada diploma ...
Publicado por: Décio Batista
em 31 de julho de 2026
Tempo de leitura: 5 minutos.
A passarela do Auditório Ruy Hülse, na Unesc, foi o trajeto mais aguardado em mais uma cerimônia formal de colação de grau. Desfilando sob aplausos emocionados de familiares e amigos, cada diploma entregue aos novos licenciados em Artes Visuais, Ciências Biológicas, Ciências da Religião, Educação Física, Química, Pedagogia e Tecnologia Educacional representou um compromisso direto com o futuro e com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A educação, frequentemente apontada como a força motriz do desenvolvimento social, ganha vida na figura do professor. É na sala de aula que se desfazem desigualdades e se formam cidadãos conscientes. A solenidade especial reforçou a missão das licenciaturas como alicerce essencial para transformar realidades através do conhecimento com empatia e consciência social.
Presidindo a sessão solene, a pró-reitora de Ensino, Graziela Giacomazzo, oficializou a outorga de grau e conduziu os atos da noite ressaltando o valor da instituição comunitária e a relevância de cada novo profissional ali formado.
A citação ressoa no trabalho diário dos educadores que assumem as salas de aula: ensinar não é apenas repassar conteúdos, mas fornecer ferramentas para a autonomia e o exercício pleno da cidadania.
“Olhar para este auditório e ver cada um de vocês, é vivenciar a força transformadora da educação.
Cada um desses cursos carrega uma história, uma missão. E cada um carrega, a partir de agora, a responsabilidade de levar adiante o que aprenderam”, destacou a pró-reitora.
Em uma fala direta, Graziela destacou a missão de cada novo graduado e graduada. “Cada bacharel, pesquisador ou profissional em sua área de atuação, tem a possibilidade de gerar mudanças na sociedade e tornar o mundo mais humano e consciente. Cada licenciatura aqui representada carrega a mesma essência: formar pessoas que formarão outras pessoas. É um ciclo virtuoso. Sejam professores em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, pois ela transforma realidades”, comentou Graziela.
Se a teoria e os discursos solenes desenham a importância da docência, são as vivências dos estudantes que lhe conferem alma. Um dos momentos mais marcantes da noite foi protagonizado por Luiz Felipe de Albuquerque Feliciano, agora oficializado graduado em Pedagogia.
Diagnosticado dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), Luiz Felipe encontrou na graduação algo que vai muito além de um espaço de aprendizado acadêmico. Ele encontrou um ambiente de acolhimento e autodescoberta.
"A Unesc foi um local de acolhimento e de conhecimento acerca do meu próprio espectro. Como dizem, tu tem o diagnóstico, mas precisa aceitar as tuas limitações e também procurar acessibilidade quando precisa. E isso eu tive na Unesc", relata Luiz Felipe.
Durante seus anos de graduação, o jovem pedagogo destacou-se pela participação ativa na vida universitária. Envolveu-se em atividades culturais, como o projeto Pedagogia em Cena, do qual participou, com incentivo direto da coordenação do curso. Ele reitera que essa convivência e a ausência de qualquer discriminação no ambiente acadêmico foram fundamentais para o seu desenvolvimento profissional e pessoal.
A história de Luiz Felipe traz à tona um debate crucial: Para ele, a inclusão não pode parar na infância. Para o novo pedagogo, a acessibilidade precisa ser uma realidade contínua em todos os níveis de ensino, alcançando o ambiente universitário e o mundo de trabalho docente.
"Uma luta que eu sempre falo é que nós não devemos pensar na educação inclusiva para pessoas autistas somente na educação infantil e no ensino fundamental, ou melhor, na educação básica. Nós temos que pensar na acessibilidade, tanto para deficiências físicas quanto para deficiência intelectual, neurológica ou transtornos como o espectro autista, em qualquer lugar, inclusive na faculdade", defende.
A dedicação de Luiz Felipe aos estudos materializou-se em seu artigo de conclusão de curso, dedicado a investigar e visibilizar a presença de professores autistas nas escolas. Para ele, o próximo passo é natural: continuar na vida acadêmica, especializando-se em Educação Inclusiva ou Autismo e ingressar no mestrado.
"Espero que, especialmente com a minha formação e com o meu trabalho sobre a inclusão de professores autistas, conforme o meu artigo, nós consigamos mostrar para a sociedade que, sim, existem professores autistas. Somos capazes de ser professores e também buscar acessibilidade em qualquer lugar. A minha ideia é dar continuidade à minha formação e continuar com a minha pesquisa na região Sul Catarinense", conclui Luiz.
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