Abril é o mês marcado pelo Dia dos Povos Indígenas no calendário nacional, e o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Unesc por meio do Laboratório de Negras Escritas (LabNegres)...
Publicado por: Raissa Albano
em 16 de abril de 2025
Tempo de leitura: 5 minutos.
Abril é o mês marcado pelo Dia dos Povos Indígenas no calendário nacional, e o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Unesc por meio do Laboratório de Negras Escritas (LabNegres) realiza, ao longo do mês, uma programação com atividades voltadas à temática indígena. As ações são abertas à comunidade acadêmica e ao público externo.
Refletir sobre a data, conforme a reitora da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta, é primordial, assim como valorizar a história dos povos originários no país e na região. “Temos orgulho de contar com cada vez mais presença de estudantes indígenas integrando a nossa comunidade acadêmica. As Políticas de Ações Afirmativas implementadas possibilitaram que a nossa diversidade fosse ampliada e isso enriquece a troca de experiências, os pontos de vista e, inclusive, a valorização deste legado”, destaca.
Para a coordenadora do Neabi, Normélia Ondina Lalau de Farias, embora o dia 19 de abril tenha sido instituído como o Dia dos Povos Indígenas, a data ainda precisa ser amplamente reconhecida pela sociedade em geral. “Esse dia foi instituído em alusão aos encontros e congressos indígenas no continente Americano, mas não se limita a reflexão apenas no dia 19. Por isso, falamos em Abril Indígena, um período inteiro de reflexão. Muito embora, para nós, a temática deva ser lembrada todos os dias”, destaca.
Segundo o pesquisador do Neabi e coordenador do LabNegres, Douglas Vaz Franco, o Abril Indígena é mais do que uma data no calendário, é um chamado à ação. “É o momento de possibilitar e potencializar as lutas, conquistas e reivindicações que versam sobre a realidade dos povos originários. Muitos ainda os vêem como figuras folclóricas, e isso precisa mudar. Enquanto Universidade, é nosso dever pensar em estratégias de enfrentamento às violências e de promoção de políticas públicas que respeitem e valorizem essas identidades culturais”, reforça o pesquisador.
Entre os estudantes que ingressaram na Unesc por meio das Políticas de Ações Afirmativas voltadas aos povos indígenas, está Lineane Fernandes de Almeida, do curso de Nutrição. Ela é integrante do povo Apurinã e veio do interior da Amazônia. “Fui muito bem acolhida aqui, desde o primeiro momento. Foi uma oportunidade importante, e me senti respeitada nesse processo”, relata Lineane.
Ela também destaca a participação em espaços de diálogo Institucional como fundamentais para a sensação de pertencimento. “Participamos de um encontro com a reitora no qual tivemos a oportunidade de compartilhar nossa trajetória até a Universidade. Foi um momento muito significativo, porque nos sentimos realmente parte da Unesc”, conta.
Neste ano, a programação do Abril Indígena é articulada em conjunto com o LabNegres, projeto do Neabi. A agenda contempla dois encontros centrais, com foco no debate de produções acadêmicas e culturais de intelectuais indígenas ligados à Universidade e à região.
A primeira atividade aconteceu na última quarta-feira (16/4), na Praça do Estudante, com uma roda de conversa sobre a dissertação de mestrado de Fabiano Alves Karaí, indígena da etnia Guarani, da Aldeia Tekoá Marangatu. Ele foi o primeiro indígena a conquistar uma bolsa de estudos integral concedida pelo Neabi.
“É um momento muito significativo, porque trazemos para o centro do debate a voz de quem vive essa realidade. Fabiano não apenas fez história dentro da Universidade, como também fortalece os vínculos entre o meio acadêmico e as comunidades indígenas da região”, pontua a coordenadora Normelia.
O segundo encontro está previsto para a última semana de abril e terá como foco a discussão de um capítulo do livro Oboré: quando a Terra Fala, de Kerexu Yxapyry, liderança indígena de Santa Catarina. O texto aborda aspectos relacionados aos saberes indígenas, às experiências de mulheres indígenas e às questões sociais nos territórios indígenas no Brasil.
Além das ações no campus, está programada uma visita à aldeia Tekoa Marangatu, com o objetivo de proporcionar uma vivência cultural e pedagógica aos pesquisadores vinculados ao Neabi e à linha de pesquisa em educação indígena. A atividade é voltada exclusivamente aos integrantes do grupo, por conta das especificidades do trabalho desenvolvido em campo.
Já no dia 8 de maio, a Universidade levará parte da sua experiência para fora do ambiente acadêmico. Em uma ação com o Colégio Marista, participantes do Neabi irão promover uma conversa sobre arte contemporânea indígena com estudantes do Ensino Fundamental, em uma iniciativa que busca ampliar o diálogo e desconstruir estereótipos ainda persistentes sobre os povos originários.
A programação completa está disponível no Instagram do Neabi, no qual também serão divulgadas atualizações sobre as atividades do mês.
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