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InovaSul reúne representantes do agronegócio para pensar novos caminhos para o Sul de SC

O futuro do agronegócio no Sul de Santa Catarina passa pela capacidade de transformar desafios em novas oportunidades. É com essa perspectiva que produtores rurais, representantes de cooperativas, ...

Daniela Savi

Publicado por: Daniela Savi

em 17 de setembro de 2026

Tempo de leitura: 6 minutos.

InovaSul reúne representantes do agronegócio para pensar novos caminhos para o Sul de SC

O futuro do agronegócio no Sul de Santa Catarina passa pela capacidade de transformar desafios em novas oportunidades. É com essa perspectiva que produtores rurais, representantes de cooperativas, sindicatos, órgãos públicos, entidades de apoio e Universidade se reuniram nesta quinta-feira (17/9), na Unesc Araranguá, para discutir caminhos para o desenvolvimento do setor nas regiões sul de Santa Catarina.

O encontro integra o InovaSul: Transformando Setores, iniciativa da Unesc que reúne dados, pesquisas e a experiência de quem está diretamente ligado às atividades econômicas da região para identificar tendências e construir estratégias de inovação. No agronegócio, a proposta é olhar para além da produção no campo, considerando também possibilidades de novos produtos, processos, serviços e negócios.

A atividade marcou uma nova etapa do estudo desenvolvido pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc, vinculado à Agência de Desenvolvimento, Inovação e Transferência de Tecnologia (Aditt). Depois de uma primeira fase de escuta com representantes do setor, o momento foi dedicado à apresentação dos resultados e à construção coletiva de propostas.

Quem está no campo também participa das decisões

Para a gerente de Inovação e Empreendedorismo da Unesc e gestora do Centro de Inovação Criciúma (CRIO), professora doutora Elenice Padoin Juliani Engel, a participação dos representantes do setor é essencial para que as informações levantadas pela Universidade possam se transformar em propostas conectadas à realidade regional.

“O nosso observatório, os nossos cientistas de dados, nossos analistas têm competência para fazer sugestões de vários projetos, mas a gente entende que, quando temos os que estão na ponta, os principais atores juntos no processo, o documento final fica mais rico e é de propriedade de todos”, destaca.

A construção do estudo combina dados regionais, estaduais e nacionais com as contribuições apresentadas pelos participantes em mesas de trabalho. A partir desse cruzamento, são identificadas tendências, dificuldades e oportunidades que podem orientar ações voltadas à inovação e à competitividade do agronegócio.

Dados que ajudam a olhar para o futuro

O coordenador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc, professor doutor Afonso Valau Júnior, conduziu a segunda etapa dos trabalhos. A proposta é utilizar as informações reunidas pelo InovaSul como base para que os próprios representantes do setor ajudem a definir prioridades e projetos.

“O nosso papel, enquanto Observatório, não é simplesmente apresentar números ou entregar um diagnóstico pronto. Nós utilizamos os dados para compreender o território, mas fazemos questão de colocar esses resultados em diálogo com quem vive o agronegócio todos os dias. Primeiro, ouvimos o setor para identificar os principais desafios e oportunidades. Agora, retornamos com essas informações sistematizadas para construir, junto com produtores, cooperativas, entidades, instituições e poder público, caminhos concretos para o desenvolvimento da cadeia”, explica Afonso.

O estudo considera o agronegócio como uma cadeia que envolve diferentes etapas, da produção no campo ao processamento, à logística, à comercialização e aos serviços. Por isso, entre os desafios identificados estão a modernização das propriedades, a qualificação de produtores e trabalhadores, a sucessão familiar, a infraestrutura logística e de conectividade, além do acesso à inovação e ao crédito.

“O estudo não termina neste encontro. O que estamos construindo é uma agenda de oportunidades para o agronegócio regional. O próximo passo é sistematizar as propostas, identificar parceiros e possibilidades de financiamento e aproximar essas demandas de quem pode contribuir para transformá-las em projetos. O conhecimento produzido pela Universidade precisa retornar ao território em forma de oportunidades, inovação e desenvolvimento”, destaca Afonso. 

Da identificação dos desafios às propostas

Um dos objetivos do encontro foi avançar da análise para a construção de propostas concretas. A intenção é chegar a projetos relacionados à inovação em produtos, processos e criação de novos negócios no setor.

Entre os caminhos apontados pelo estudo estão a agregação de valor à produção, a diversificação das atividades agropecuárias, o fortalecimento das estratégias de comercialização e a ampliação do acesso a mercados. A aproximação entre produtores, cooperativas, agroindústrias, instituições de pesquisa e poder público também aparece como uma das estratégias para ampliar as oportunidades.

“Nosso objetivo justamente é identificar e estudar junto com vocês tendências econômicas emergentes, verificar desafios e oportunidades para efetivamente pensar em estratégias de inovação e tornar esse segmento mais competitivo e sustentável nos pilares econômico, social e ambiental”, explica Elenice.

A partir das discussões, a proposta é construir uma Vitrine de Oportunidades, que possa reunir projetos e possibilidades de captação de recursos, parcerias e novos investimentos. Entre os exemplos apresentados estão oportunidades junto ao Sebrae, projetos para apoio por meio de emendas parlamentares e articulações com o turismo.

Um trabalho que envolve toda a região

Financiado com fomento vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o InovaSul contempla os 27 municípios das regiões da Amesc e da Amrec e reúne mais de 300 empresas em dez fóruns regionais. O projeto busca estudar tendências econômicas e apoiar a inovação em produtos, processos e novos negócios.
Além do agronegócio, o InovaSul já promoveu discussões com representantes dos setores químico, mineral, plástico, turismo, tecnologia, metal mecânico, varejo e confecção. Os resultados dos estudos servem como base para a construção de estratégias relacionadas à inovação, sustentabilidade, novos negócios e desenvolvimento regional.

No agronegócio, o próximo passo é transformar as informações e discussões em projetos. A ideia é que produtores, cooperativas, entidades, empresas, instituições de ensino e poder público sigam conectados na construção dessas propostas, aproximando conhecimento, experiência e oportunidades para o desenvolvimento do setor no Sul catarinense.

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