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Curso de Fonoaudiologia promove palestra sobre câncer de cabeça e pescoço

Aos 40 anos, um diagnóstico tardio de câncer de laringe transformou radicalmente a vida de Melissa Medeiros. Ex-fumante, enfrentou tratamentos intensivos de quimioterapia e radioterapia, além de um...

Décio Batista

Publicado por: Décio Batista

em 18 de setembro de 2026

Tempo de leitura: 5 minutos.

Curso de Fonoaudiologia promove palestra sobre câncer de cabeça e pescoço

Aos 40 anos, um diagnóstico tardio de câncer de laringe transformou radicalmente a vida de Melissa Medeiros. Ex-fumante, enfrentou tratamentos intensivos de quimioterapia e radioterapia, além de uma cirurgia de resgate que resultou na remoção total de sua laringe e na realização de uma traqueostomia permanente. Hoje, 15 anos após o início dessa jornada, Melissa se consolidou como uma das principais referências na defesa dos direitos de pacientes com câncer de cabeça e pescoço no Brasil.

Fundadora e atual presidente voluntária da Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG Brasil), Melissa esteve na Unesc e palestrou na noite desta terça-feira(15/9) para cerca de 60 alunos da primeira e segunda fase do curso de Fonoaudiologia. O encontro realizado no Bloco R2, teve como tema câncer de cabeça e pescoço.

 

Primeiro evento

 

Para a coordenadora do curso, Suelen Capelari Michels, esse primeiro contato é muito importante para os acadêmicos. “Esta noite estamos recebendo Melissa para conversar um pouquinho com os nossos estudantes sobre um tema de grande interesse acadêmico. É nossa primeira experiência trazendo profissionais para relatos em sala de aula , acreditamos que essa ação é uma forma de aproximar os alunos da atuação fonoaudiológica, da importância do papel desenvolvido pela instituição para os pacientes. Mesmo sendo um curso novo, é importante atividades teórico-práticas, associando a teoria com a vivência dos profissionais”, explicou a coordenadora.

Melissa, durante sua explanação, contou sua história com o auxílio de um fonador ou laringe eletrônica, que lhe permite ter voz.

 

Do isolamento à acolhida

 

Após o procedimento de laringectomia total no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon/SUS), a palestrante enfrentou complicações graves, como fístula traqueoesofágica, seis meses de uso de sonda nasoentérica e o diagnóstico de depressão. No entanto, o processo de reabilitação encontrou novo significado com sua integração ao Grupo de Acolhimento (GAL).

A experiência com a perda da voz natural levou Melissa a fundar a Associação Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço (ACBG Brasil) e a idealizar projetos de impacto social e emocional, como o Coral Cantarolar, promovendo a reintegração social e a autoestima de pacientes reabilitados.

 

A Importância vital da reabilitação

 

O material apresentado por Melissa reforça a complexidade do câncer de cabeça e pescoço, a região do corpo humano com a maior concentração de tipos tumorais, afetando estruturas como língua, tireóide, laringe e cavidade nasal.

Resumindo sua filosofia de vida e trabalho na frase "A deficiência não me define", Melissa Medeiros segue como referência nacional, mostrando que, mesmo sem as pregas vocais, é possível ecoar a voz de milhares de pacientes em todo o país.

Segundo a estudante da segunda fase, Daiana Tuon, a palestrante é uma guerreira. “Há 15 anos ela teve câncer de pescoço e hoje usa um aparelho fonador para poder ter voz. Foi uma palestra motivacional, não só para a nossa área de fonoaudiologia, mas também como ser humano. Aprendi muito com ela e que a nossa profissão vai poder ajudar muitas pessoas”, avaliou Daiana.

 

Pacientes laringectomizados a reabilitação divide-se em duas frentes fundamentais:

 

Reabilitação Pulmonar: utilização de filtros permutadores de calor e umidade (HME) e adesivos/bottons para proteger as vias aéreas inferiores, prevenindo infecções e pneumonias graves decorrentes do estoma aberto.

Reabilitação Fonatória: restauração da comunicação oral por meio de Próteses Traqueoesofágicas (PTE) ou Laringes Eletrônicas (LE), ferramentas essenciais para a autonomia e o convívio social.

 

Conquistas

 

Através do ativismo e da atuação em Advocacy com a Rede+VOZ, a mobilização liderada pela ACBG Brasil alcançou marcos históricos para a saúde pública brasileira. Em 2020, o Ministério da Saúde publicou portarias decisivas para o Sistema Único de Saúde (SUS):

 

Portaria GM/MS nº 3.777/2020: consolidou e reajustou o financiamento para o fornecimento da prótese traqueoesofágica.

 

Portaria GM/MS nº 3.728/2020: incluiu a laringe eletrônica no rol de equipamentos fornecidos gratuitamente pelo SUS.

 

Dados do Inca

 

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. Quando excluídos os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais. Os dados constam da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil.

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