Emily Ceolin Nunes Enquanto alguns estudantes ainda estão na estrada antes mesmo do sol nascer, outros despertam em uma cidade que ainda não chamam totalmente de lar. Em comum, todos carregam a mes...
Publicado por: AgeCom Unesc
em 23 de junho de 2026
Tempo de leitura: 8 minutos.
Enquanto alguns estudantes ainda estão na estrada antes mesmo do sol nascer, outros despertam em uma cidade que ainda não chamam totalmente de lar. Em comum, todos carregam a mesma escolha: deixar para trás a rotina conhecida para estudar na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). Seja enfrentando horas de deslocamento diário ou lidando com a adaptação longe de casa, a jornada até o ensino superior começa muito antes da sala de aula.
A realidade dos estudantes que vêm de outras cidades faz parte do cotidiano da Unesc. Entre idas e vindas ou mudanças definitivas, cada trajetória revela diferentes formas de adaptação à vida universitária.
Entre os estudantes que enfrentam diariamente o desafio do deslocamento está Ana Júlia Ceron, acadêmica do curso de Fisioterapia, que sai de Timbé do Sul para estudar na Unesc. A rotina começa cedo. Às 4h45 da manhã, enquanto grande parte da cidade ainda dorme, ela já está de pé para se preparar e seguir até a parada às 5h40. O trajeto até Criciúma leva cerca de uma hora a uma hora e dez minutos, tempo que ela divide entre ouvir música e tentar descansar um pouco antes do início das aulas.
Apesar de considerar sua rotina tranquila, Ana destaca que o maior desafio está no desgaste físico de acordar cedo e retornar tarde para casa. “A parte mais cansativa é acordar cedo e voltar tarde embora, geralmente chego às 13 horas em casa”, relata. A distância também interfere diretamente na vida pessoal, exigindo escolhas e limitações no dia a dia. Sair durante a semana, por exemplo, quase nunca é uma opção. Segundo ela, o cansaço acumulado pode prejudicar o rendimento acadêmico e tornar a rotina ainda mais pesada.
Mesmo diante dessas dificuldades, desistir nunca foi uma possibilidade. A escolha pela Unesc veio pela qualidade do ensino e pelas oportunidades oferecidas dentro da área da saúde. Para Ana Júlia, todo o esforço encontra sentido no próprio sonho profissional. “Vale sim, pois estou fazendo o curso que sempre quis e vejo que é o que quero para a minha vida”, afirma.
A história da estudante reflete a realidade de muitos acadêmicos que cruzam cidades diariamente em busca da formação superior. Mais do que quilômetros percorridos, a jornada representa disciplina, renúncia e a certeza de que, para alguns sonhos, o caminho faz parte da conquista.
Já para outros estudantes, a escolha foi diferente: em vez de enfrentar horas de estrada diariamente, a solução encontrada foi a mudança de cidade. Sair de casa, adaptar-se a uma nova rotina e aprender a lidar com a distância da família se torna parte do processo de formação acadêmica. A independência chega junto com responsabilidades que vão além da sala de aula.
É o caso de Guilherme Carneiro, também acadêmico de Fisioterapia, que saiu de Laguna há dois anos para estudar em Criciúma. A decisão, segundo ele, não foi simples. Acostumado a viver com a família e cercado pelos amigos, a mudança representou um rompimento importante com a rotina que sempre conheceu. “No início foi complicado, porque eu morei a vida toda com minha família, sempre estive com amigos por perto e vir para uma cidade diferente não é fácil”, relata.
A adaptação também não aconteceu de forma imediata. Nos primeiros meses, o sentimento de solidão foi um dos maiores desafios enfrentados. Sem amigos próximos e morando longe do centro da cidade, Guilherme conta que passou muito tempo isolado, tentando lidar com a nova realidade. “Eu fiquei muito tempo jogando videogame e não tinha muito ânimo. A adaptação só foi acontecer mais para o final do segundo semestre, quando entendi que o sacrifício era necessário”, afirma.
Além da distância da família, ele destaca que sentiu falta de ter alguém por perto para conversar e compartilhar a rotina. A dificuldade de adaptação e até mesmo episódios de depressão marcaram esse processo, tornando a experiência ainda mais desafiadora. Hoje, no entanto, a realidade é diferente. A rotina já está estabelecida entre faculdade, trabalho e as responsabilidades de viver sozinho. Ele acorda às 7h30, vai para a universidade, segue para o trabalho e, ao retornar para casa, dedica o restante do tempo aos estudos e tarefas do dia a dia.
Mais do que independência, Guilherme acredita que a experiência trouxe amadurecimento e resiliência. “Aprendi que temos que ser mais como um camaleão, nos adequar aos ambientes e ser mais resilientes”, conta. Apesar das dificuldades iniciais, ele afirma que a mudança valeu a pena. Hoje, vê em Criciúma não apenas uma cidade universitária, mas um lugar onde construiu novas perspectivas de futuro. “Meu futuro é aqui. Tenho amigos, trabalho, faculdade e comecei a gostar do tempo que passo aqui. A cidade tem possibilidade de crescimento e isso me atrai”, conclui.
Embora as experiências sejam diferentes, tanto o deslocamento diário quanto a mudança de cidade exigem esforço constante. Enquanto Ana Júlia enfrenta o desgaste físico de acordar antes do amanhecer e passar horas na estrada, Guilherme precisou lidar com a solidão, a adaptação e o desafio emocional de recomeçar longe de casa. Em comum, ambos compartilham a busca pela formação profissional e a certeza de que o ensino superior exige mais do que presença em sala de aula.
Além dos desafios emocionais e físicos, estudar longe de casa também exige planejamento financeiro. Custos com transporte, moradia, alimentação e rotina de trabalho fazem parte da realidade de muitos estudantes que buscam na universidade uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional.
Para quem opta por morar em Criciúma, encontrar uma moradia acessível pode ser um dos primeiros desafios. Nesse cenário, a própria Unesc oferece uma alternativa prática por meio da seção de “Classificados” disponível em seu site oficial, onde estudantes podem anunciar quartos para aluguel, buscar repúblicas ou encontrar pessoas interessadas em dividir moradia.
A ferramenta se torna um apoio importante principalmente para quem chega à cidade sem uma rede de contatos já estabelecida. Dividir apartamento ou casa acaba sendo uma solução comum entre universitários, reduzindo custos e facilitando a adaptação à nova rotina.
Mais do que um espaço de anúncios, os classificados refletem uma realidade compartilhada por muitos estudantes: a necessidade de construir não apenas uma trajetória acadêmica, mas também um novo estilo de vida longe de casa.
A presença de estudantes vindos de diferentes cidades reforça o papel da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) como um espaço de encontro entre trajetórias, sonhos e possibilidades. Além de oferecer formação acadêmica, a universidade se torna parte de histórias marcadas por superação, autonomia e construção de futuro. Afinal, para muitos, estudar longe de casa também significa aprender a construir o próprio lugar no mundo.
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