Em meio às atividades promovidas pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) na Semana Nacional do Cérebro 2026, realizada entre 16 a 22 de abril com o tema “Cérebro Campeão”...
Publicado por: Décio Batista
em 11 de maio de 2026
Tempo de leitura: 4 minutos.
Em meio às atividades promovidas pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) na Semana Nacional do Cérebro 2026, realizada entre 16 a 22 de abril com o tema “Cérebro Campeão”, a Unesc promoveu um espaço de reflexão profunda sobre um dos assuntos mais urgentes do ambiente universitário: a ansiedade e a saúde mental.
A roda de conversa "Mentes aceleradas, vidas possíveis: resiliência em construção", realizada e transmitida ao vivo via Google Meet na noite desta quarta-feira (6/5), no Auditório Edson Rodrigues, buscou desmistificar a neurociência e transformá-la em uma ferramenta acessível para o enfrentamento dos desafios contemporâneos, com foco especial nos estudantes de graduação.
Para o debate, três especialistas com trajetórias complementares trouxeram suas perspectivas. A professora Beatriz Galatto Nesi, psicóloga, mestre em Ciências da Saúde e mediadora da roda, abordou temas como Gestalt-terapia e neuro divergências. O biomédico Eduardo Ronconi Dondossola, doutor em Ciências da Saúde, contribuiu com o olhar científico e epidemiológico. Ao lado deles, a psicóloga Jéssica da Luz Fernandes trouxe a experiência do psicodrama e da atuação na saúde pública.
Já na abertura, um momento de conexão direta com o público questionou quantos dos presentes haviam se sentido sobrecarregados e ansiosos no último mês, um cenário comum, mas frequentemente silenciado no meio acadêmico.
A coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), Josiane Budni, destacou que o evento é parte de uma ampla ação extensionista interinstitucional. O projeto une a Unesc, os campus Florianópolis, São José e Reitoria do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), a Universidade Federal da Amazônia (UFAM) - campus Coari e a Faculdade Anhanguera de Valparaíso de Goiás (GO) em um esforço conjunto para mobilizar a comunidade sobre o conhecimento da ansiedade e estratégias de manejo.
“A dinâmica do evento, estruturada como uma roda de conversa, privilegiou a disseminação de experiências em vez do formato tradicional de palestras. A ideia foi criar um espaço de troca, onde diferentes olhares se encontram para refletirmos juntos sobre saúde mental e caminhos possíveis de enfrentamento", destacou a coordenadora.
O evento teve como objetivo geral promover a compreensão básica sobre o funcionamento do cérebro, com ênfase na ansiedade, desenvolvendo habilidades de reconhecimento e regulação emocional de forma lúdica e acessível. Entre as metas específicas, os especialistas buscaram ensinar o público a identificar situações de medo, compreender a função da amígdala como o “sistema de alerta” do corpo e, crucialmente, diferenciar o perigo real de um “alarme exagerado”.
A iniciativa propõe o desenvolvimento de estratégias simples de autorregulação por meio do estímulo à expressão emocional nas linguagens verbal, corporal e artística. Conforme explica a organizadora da Semana, Hagar de Lara Tibúrcio, doutoranda do PPGCS, membro da SBNeC e pesquisadora do Laboratório de Estudos do Autismo e Neurodesenvolvimento da Unesc, o foco é a humanização do tema.
“Por meio de uma abordagem humanizada, os palestrantes buscaram associar o conhecimento técnico da neurobiologia da ansiedade com a realidade prática vivida pelos estudantes, reforçando que a construção da resiliência é um processo contínuo e coletivo”, concluiu a pesquisadora.
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