A moda e o vestuário catarinenses ganharam protagonismo nesta terça-feira (11/11) com o InovaSul: Transformando Setores – Setor de Moda e Vestuário, realizado no Centro de Inovação Criciúma (CRIO)....
Publicado por: Marciano Bortolin
em 12 de novembro de 2025
Tempo de leitura: 6 minutos.
A moda e o vestuário catarinenses ganharam protagonismo nesta terça-feira (11/11) com o InovaSul: Transformando Setores – Setor de Moda e Vestuário, realizado no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). A iniciativa da Unesc, com apoio do Sindicato da Indústria do Vestuário Sul Catarinense (Sindivest), Núcleo de Moda do Sul Catarinense (NMSC) e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reuniu lideranças empresariais e pesquisadores para debater os caminhos do segmento e projetar estratégias que fortaleçam a competitividade e a sustentabilidade nos próximos anos.
Com programação que envolveu apresentação de dados, trabalhos em grupo e plenária de resultados, o encontro integrou o Criciúma Fashion Future, evento que conecta inovação, design e desenvolvimento regional. A proposta foi discutir as perspectivas para o setor, com destaque para o papel estratégico da moda na economia do Sul catarinense e as oportunidades que surgem a partir da inovação em produtos, processos e novos negócios.
“A Unesc possui em seu DNA o compromisso com o desenvolvimento regional. Quando reunimos empresários, pesquisadores e lideranças para olhar com atenção para um setor tão importante quanto a moda e o vestuário, cumprimos a nossa missão de Universidade Comunitária, ao conectar conhecimento, inovação e pessoas em favor do crescimento sustentável do Sul catarinense. Esse encontro é um movimento coletivo de fortalecimento de um segmento que gera oportunidades, identidade e valor para a nossa região”, enfatizou a reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes.
O primeiro encontro foi voltado aos CEOs e diretores das organizações, para discutir os resultados do estudo e o que se almeja alcançar a partir dele. “O nosso objetivo é pensar a inovação aplicada ao processo e ao ensino, além de mostrar que é possível fazer sustentabilidade com identidade, com o fortalecimento da sustentabilidade socioambiental no segmento”, afirmou a gerente de Inovação da Unesc, Elenice Engel.
Os dados apontados pelos grupos de trabalho foram apresentados pelo coordenador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico da Unesc, Afonso Valau da Silva Junior. “Foram citados desafios como a matéria-prima, a mão de obra, a qualidade dos produtos e a relação com fornecedores”, revelou.
Já entre as oportunidades, destacaram-se a capacitação de profissionais, a união do setor, a atração de fornecedores e o fortalecimento da região como vitrine de qualidade.
“A nossa região precisa que as empresas se unam. A iniciativa da Unesc de reunir o setor e promover essa discussão é extremamente relevante. Esperamos que, com os dados tabulados, possamos enxergar com mais precisão os caminhos a seguir e direcionar melhor os nossos negócios”, citou o presidente do Sindivest, André Spadel.
O futuro, segundo os participantes, passa por mostrar valor ao cliente, reduzir a dependência de poucos compradores, ampliar mercados e agir de forma colaborativa, não como empresas isoladas, mas um polo de inovação e desenvolvimento coletivo.
“Este é um evento inovador. Algo que precisávamos para dar maior visibilidade à área da confecção. Reunir empresários, trocar experiências e perceber que todos enfrentam desafios semelhantes foi positivo. A partir desse estudo, esperamos ações concretas voltadas à qualificação, investimento em tecnologia e melhoria de processos”, enfatizou a coordenadora de Melhoria de Processos da empresa Ufo Way Jeans, Sabrina Cameira.
Os números apresentados pelo pesquisador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação da Unesc, Tiago Fabris, reforçam a relevância do setor na economia catarinense e nacional. No cenário global, a moda e o vestuário respondem por 3,7% das exportações mundiais, com a Ásia dominando 70,6% do mercado — sendo a China responsável por 40%. Já o Brasil se destaca na América do Sul, com 82,9% de conteúdo nacional em suas exportações.
Em Santa Catarina, o setor é um dos pilares da economia: são mais de 8,9 mil empresas e 165 mil empregos, movimentando R$ 24,2 bilhões. A região da Amrec ocupa a quinta posição estadual em participação no segmento, com Criciúma entre os dez principais polos, somando 317 empresas e cerca de 4,9 mil empregos formais.
Conforme Fabris, os ciclos econômicos atuais indicam um cenário de crescimento moderado, mas consistente, com Santa Catarina crescendo acima da média nacional: 7,1% no estado contra 3,6% no país.
“Esses indicadores revelam um cenário de oportunidades e desafios, especialmente no fortalecimento das cadeias produtivas locais e na busca por maior inserção internacional”, destacou.
O InovaSul é um projeto da Unesc, desenvolvido pela Agência de Desenvolvimento, Inovação e Transferência de Tecnologia (Aditt) e pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e de Inovação, com apoio do MCTI. A iniciativa envolve mais de 300 empresas em 10 fóruns regionais, com debates sobre tendências econômicas, inovação em produtos e processos, criação de novos negócios e sustentabilidade nas dimensões econômica, ambiental e social.
Em edições anteriores, o projeto mapeou oportunidades para os ramos do plástico, químico e turístico, por meio de uma metodologia de diagnóstico e construção coletiva que orienta o desenvolvimento regional.
“A inovação acontece quando nos reunimos para pensar juntos. Cada empresa que se abre ao diálogo e à troca de experiências contribui para construir um setor mais forte, sustentável e competitivo”, concluiu Elenice.
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