A cidade é um organismo vivo e quem segura o spray ou o pincel ajuda a ditar o tom dessa conversa. Para marcar o Dia Internacional das Mulheres, o curso de Artes Visuais da Unesc promoveu, na noite...
Publicado por: Décio Batista
em 10 de março de 2026
Tempo de leitura: 3 minutos.
A cidade é um organismo vivo e quem segura o spray ou o pincel ajuda a ditar o tom dessa conversa. Para marcar o Dia Internacional das Mulheres, o curso de Artes Visuais da Unesc promoveu, na noite desta terça-feira (10/3, uma atividade além da técnica: uma imersão no universo da arte de rua sob o olhar feminino.
O debate, realizado na sala 105 do Bloco XXI, com estudantes da terceira e sétima fase de bacharelado e da sétima fase de licenciatura, contou com a participação de artistas que unem à formação acadêmica com a vivência das ruas, trazendo diferentes tipos de interpretação sobre o que significa "escrever a cidade".
Segundo a coordenadora do curso, Daniele Zacarão, o evento buscou refletir sobre a experiência de ser mulher e ocupar um espaço que, historicamente, é majoritariamente masculino.
"O trabalho delas dialoga com uma abordagem sobre como a cidade responde à existência e à produção desses corpos femininos. Cada uma atua em um segmento da arte urbana. Elas compartilharam um pouco sobre os processos de criação e também sobre a importância das mulheres ocupando esse espaço. As criações abordam esse campo de pensar ser mulher, ser artista e como a cidade responde às suas produções”, analisou a coordenadora.
A multiartista e egressa Aline Chaves relatou sua experiência em um ambiente que define como hostil. "Vim dividir um pouco de mim, da minha técnica e discutir a marginalidade, a arte e a questão das mulheres, pois sabemos que o ambiente da rua é agressivo e essa violência se multiplica para nós".
A artista visual e mediadora cultural do Museu da Infância da Unesc, Iolanda Peres, ressaltou o valor simbólico de retornar à Universidade para falar sobre sua prática. "É importante pensar a relevância das mulheres ocupando esses espaços, especialmente na arte urbana, que é onde eu e minhas colegas atuamos. É um dia em alusão ao Dia da Mulher, mas, pessoalmente, também é um momento muito importante para mim”, destacou.
A acadêmica, professora e artista Victoria Fernandes, destacou que sua prática envolve trajetórias e intervenções como o lambe-lambe e o grafite. "Nosso objetivo é mostrar que também temos voz e que estamos aqui para ocupar esses lugares vistos como masculinos", pontuou.
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