A Escola de Lideranças da Unesc realizou, no dia 23 de setembro, a primeira etapa de socialização dos projetos de intervenção comunitária elaborados pelas lideranças participantes da Turma III. O e...
Publicado por: Décio Batista
em 6 de outubro de 2026
Tempo de leitura: 10 minutos.
A Escola de Lideranças da Unesc realizou, no dia 23 de setembro, a primeira etapa de socialização dos projetos de intervenção comunitária elaborados pelas lideranças participantes da Turma III. O encontro marcou um momento importante da formação desenvolvida ao longo do ano e evidenciou a capacidade das lideranças de transformar experiências, conhecimentos e necessidades de seus territórios em propostas concretas de ação.
O programa integra as ações de Extensão da Unesc, sob coordenação e gestão acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD), com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proest-PG). A proposta aproxima a pós-graduação das lideranças comunitárias e sociais e de seus territórios.
Para o coordenador do Programa Escola de Lideranças, Reginaldo de Souza Vieira, a socialização das propostas expressa a própria concepção do Programa. “O projeto reconhece que os territórios produzem conhecimentos, experiências e formas de organização fundamentais para a construção de respostas coletivas. A apresentação dos projetos fortalece o diálogo entre a universidade e a sociedade e reafirma nosso compromisso com uma formação crítica, democrática e comprometida com a participação popular e a garantia de direitos”, explicou o coordenador.
Durante o percurso formativo, a turma participou de quatro módulos voltados ao fortalecimento das lideranças, ao aprofundamento de conhecimentos e à troca de experiências necessárias à atuação comunitária. Como resultado desse processo, os participantes, individualmente ou em grupos, elaboraram propostas de intervenção relacionadas às realidades de seus territórios.
Na primeira noite, foram apresentados cinco projetos desenvolvidos em diferentes territórios de Minas Gerais, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia. As iniciativas abordam a valorização das mulheres camponesas, a agroecologia, o acesso à informação e aos direitos, a segurança em comunidade quilombola e a promoção da saúde, da cidadania e da participação social das pessoas idosas.
Apresentado por Laura Lavorato, o projeto “Guardar o Sabor, Contar a História: memórias, receitas e resistência das mulheres camponesas” será desenvolvido com mulheres agricultoras vinculadas à Associação das Camponesas e Camponeses Agroecológicos de Lavras (ACCAL), em Minas Gerais.
A proposta prevê a construção participativa de um fanzine com receitas, fotografias e depoimentos de camponesas. A iniciativa busca reconhecer as mulheres como guardiãs de saberes tradicionais, valorizar a cultura alimentar camponesa e contribuir para a preservação de conhecimentos transmitidos entre gerações.
Apresentado por Marcelino Brusco, em nome do grupo, o projeto “SPDH+: um novo modo de vida” será desenvolvido com famílias agricultoras do Assentamento Rio dos Patos, no município de Lebon Régis, em Santa Catarina.
A proposta pretende acompanhar aproximadamente 15 famílias no processo de implantação do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) e outras culturas. A iniciativa articula conhecimentos técnicos e acadêmicos com os saberes dos agricultores, buscando melhorar a saúde do solo, reduzir o uso de insumos químicos, diminuir os custos de produção, fortalecer a autonomia da agricultura familiar e contribuir para a transição agroecológica.
Ao destacar a dimensão participativa da iniciativa, Marcelino afirmou: “As lavouras de estudo unem o conhecimento popular com o conhecimento acadêmico, trazendo uma realidade concreta para a construção de um novo conhecimento”.
O projeto “Conecta Comunidade: informação, direitos e participação” será desenvolvido no Centro Histórico de Araçuaí, em Minas Gerais. Apresentada por Roberta Leite, em nome do Grupo 1, a proposta tem como ponto de partida a escuta dos moradores e trabalhadores locais e pretende ampliar o acesso à informação, fortalecer a participação popular, valorizar a história do território e estimular o envolvimento da comunidade na identificação de seus problemas e na construção de soluções possíveis.
Desenvolvido por Rondiléia dos Santos, o projeto “Quilombo Seguro” está sendo executado na Comunidade Quilombola Sambaquim, localizada em Cupira, Pernambuco. A iniciativa propõe ampliar o acesso a informações sobre segurança, direitos sociais e serviços públicos, além de criar estratégias de comunicação e aproximação entre a comunidade e os órgãos responsáveis.
Ao explicar a origem da proposta, Rondiléia ressaltou: “O projeto nasceu da necessidade apresentada pela própria comunidade remanescente de quilombolas”. A idealizadora do projeto evidencia que a iniciativa não foi concebida de forma externa, mas construída a partir da escuta do território e das demandas manifestadas por seus moradores. O projeto demonstra como o diálogo com a comunidade pode dar origem a ações voltadas à proteção, à autonomia e à garantia de direitos.
Exposto por Ester Barros, o projeto “Ciranda de Diálogos Saudáveis: direitos, saúde e cidadania no Projeto Judoflex” será desenvolvido no bairro de Valéria, em Salvador, na Bahia, junto às ações da Associação Arte Sem Fronteiras (ASF).
A iniciativa é direcionada às pessoas idosas atendidas pela ASF e prevê espaços de acolhimento, escuta e diálogo sobre assuntos escolhidos pelos próprios participantes. O objetivo é ampliar o acesso à informação e fortalecer a autonomia, a convivência, a participação social e o exercício da cidadania.
Durante sua apresentação, Ester sintetizou o sentido da proposta: “Cuidar também é informar, escutar, dialogar e garantir espaço para que a pessoa idosa exerça sua cidadania com dignidade, autonomia e participação social”.
Após cada apresentação, os pesquisadores convidados compartilharam sugestões relacionadas à participação comunitária, à acessibilidade, aos cuidados éticos, às formas de registro e avaliação, à definição dos resultados e à continuidade das ações. As contribuições foram realizadas de maneira formativa, respeitando a autoria das lideranças, os conhecimentos dos territórios e as condições concretas de execução de cada proposta.
O encontro também revelou um dos principais resultados da formação: as lideranças não apenas identificam os desafios de suas comunidades, mas também mobilizam pessoas, constroem parcerias e criam respostas enraizadas na realidade local. Algumas ações já estão em andamento, enquanto outras iniciam sua articulação com a comunidade. Em comum, todas demonstram compromisso social e potencial para produzir resultados concretos.
Todas as experiências reafirmam o compromisso da Escola de Lideranças com o reconhecimento e a valorização das trajetórias e dos saberes construídos pelas lideranças em seus territórios. A formação busca ampliar conhecimentos e fortalecer o protagonismo, a autonomia e a capacidade de intervenção dessas pessoas, que atuam cotidianamente em suas comunidades, muitas vezes com recursos limitados, por meio da mobilização coletiva, da construção de parcerias e de redes comunitárias de solidariedade.
A primeira etapa de socialização mostrou, assim, resultados formativos importantes. Os projetos apresentados nascem do cotidiano, da escuta das comunidades e dos conhecimentos acumulados pelas lideranças. “Ao promover sua aproximação com pesquisadores da Universidade, a Escola de Lideranças fortalece uma relação de troca na qual a pesquisa, a extensão e os saberes comunitários dialogam em condições de respeito e aprendizagem mútua”, salienta Reginaldo.
As próximas etapas darão continuidade à apresentação e ao aprimoramento das propostas. “A expectativa é que os pesquisadores também possam acompanhar sua execução e colaborar, futuramente, com o registro e a divulgação das experiências por meio de publicações em coautoria com as lideranças”, acrescenta o coordenador do Programa.
Segundo a mediadora do encontro e pós-doutoranda do PPGD, Ana Paula de Matos, os projetos elaborados ao final do percurso formativo evidenciam o protagonismo, a potência e o compromisso das lideranças com seus territórios. “Construídas a partir da escuta e das demandas comunitárias, essas propostas apresentam potencial para ampliar o acesso a direitos, fortalecer a participação social e contribuir para a construção de mudanças socialmente relevantes nos territórios”, comentou a mediadora.
A socialização contou com a participação de professores, pesquisadores e discentes dos programas de pós-graduação da Unesc, convidados a compartilhar conhecimentos e experiências para contribuir com o aprimoramento e a execução das propostas. O encontro constituiu um espaço de escuta, diálogo e construção coletiva, aproximando o conhecimento científico dos saberes populares, comunitários, de base e tradicionais.
Participaram como professores e pesquisadores convidados do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA): José Carlos Virtuoso, Eduardo Martinello e Suliano Ferrasso; as mestrandas do PPGCA, Marcela Martins Tavares e Pâmela Ribeiro Jaques; o doutorando do PPGDS, Roberto Ragagnin; e a mestranda e o doutorando do PPGD, respectivamente, Amanda Crescêncio e Michel Belmiro Ilíbio.
A iniciativa recebe apoio dos programas de pós-graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS), Ciências Ambientais (PPGCA), Ciências da Saúde (PPGCS), Educação (PPGE), Gestão em Saúde (PPGGS), Saúde Coletiva (PPGSC), Sistemas Produtivos (PPGSP) e Ciências e Engenharia de Materiais (PPGCEM), todos da Unesc.
Participam também o curso de Direito, o Observatório Latino-Americano de Direitos Humanos Professor Antônio Carlos Wolkmer e a Rede Brasileira de Pesquisa Jurídica em Direitos Humanos (REBRADH). A rede de cooperação inclui o Coletivo Nacional de Pessoas com Albinismo (CNPA), o Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares e a OAB Subseção de Criciúma.
Confira o encontro na integra aqui.
Tags:
Copyright 2026 © UNESC. Todos os direitos reservados. | Política de privacidade