A 9ª edição do Seminário de Leitura e Produção Textual (Selep), promovido pelo curso de Letras da Unesc, teve início nessa segunda-feira (15/6) e se estende até sexta-feira (19/6). O evento reúne e...
Publicado por: Marcela Barrozo
em 17 de junho de 2026
Tempo de leitura: 7 minutos.
A 9ª edição do Seminário de Leitura e Produção Textual (Selep), promovido pelo curso de Letras da Unesc, teve início nessa segunda-feira (15/6) e se estende até sexta-feira (19/6). O evento reúne estudantes, professores, pesquisadores e comunidade em geral para uma semana de reflexão sobre linguagem, memória, educação e práticas de leitura e escrita.
A abertura foi marcada pelo lançamento de três obras que representam a produção acadêmica, científica e literária desenvolvida na Universidade: Linguagem e (Re)Existências, da Editora Unesc, que reúne contos, crônicas e poemas de diversos organizadores entre professores e estudantes; Pipocas Pedagógicas: narrativas do cotidiano docente; e Língua e Ensino: “novos” contextos de práticas de linguagem, do Grupo de Pesquisa Littera, assinado por Carlos Schlickmann, Leandro de Bona Dias e Richarles Souza de Carvalho.
“O Selep nasceu como uma iniciativa do curso para promover as pesquisas desenvolvidas por nossos estudantes e professores. A Pesquisa é parte essencial da Extensão, do Ensino e da formação docente. Ao longo dos anos, o evento cresceu, incluindo a participação de egressos e professores de pós-graduação, que compartilham suas experiências e vivências no campo da educação”, destaca a coordenadora do curso de Letras, Daniela Arns Silveira.
Um dos momentos emocionantes da noite de abertura foi a apresentação do livro “Pipocas Pedagógicas”, assinado pelas professoras Ângela Back e Rúbia Cristina Cruz, com organização do professor Carlos Schlickmann. Rúbia, que hoje atua na Udesc de Joinville, contou que a ideia começou a ser gestada ainda quando integrava o grupo de pesquisa EPEC, ligado à Faculdade de Educação da Unicamp.
Foi ali que ela conheceu o formato das pipocas pedagógicas e passou a compartilhá-las em casa, com a família, até decidir, anos depois, transformar o projeto em livro junto com colegas e alunos da Udesc. 
"As pipocas nascem de professores que discutiam formação continuada e viram o valor das pequenas histórias escolares. Esse material virou estudo científico para entender o que transforma o dia a dia na escola. O nome vem do estalo: um sentido completo que surge de repente e modifica a todos", explicou a docente Rúbia Cristina.
A programação também reservou espaço para homenagear a professora Ângela, que está em processo de aposentadoria e não está mais à frente de disciplinas no curso de Letras.
Aproveitando o lançamento das obras, o diretor e editor-chefe da EdiUnesc, Dimas de Oliveira Estevan, agradeceu a confiança do curso de Letras na Editora Universitária e destacou o crescimento da Instituição nas avaliações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), especialmente no Qualis Livros.
"O trabalho que desenvolvemos, enquanto editora universitária, só faz sentido quando recebe os originais, a confiança dos pesquisadores da casa", destacou o diretor da EdiUnesc, Dimas de Oliveira Estevam.
A pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação, Inovação e Extensão (Propiex), professora Vanessa Moraes de Andrade, destacou a união entre Ensino, Pesquisa e Extensão simbolizada pelos livros lançados. "Entre os autores que participaram do concurso do qual resultou esta obra, é notável observar a união que constitui uma Universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão. Contar histórias conecta e precisamos contar mais histórias, porque quando contamos, o outro escuta e às vezes se vê naquilo”, ressaltou a pró-reitora.
A professora Andréia Daltoé apresentou parte de sua pesquisa sobre projetos antidemocráticos que têm sido impostos às escolas nos últimos anos. A partir da Análise de Discurso de linha materialista, ela mostrou como esses projetos costumam se apoiar em argumentos de base moral para, na prática, impor censura, colocando em risco o papel da escola pública como espaço democrático enquanto criminaliza a figura do professor em sala de aula. Discurso este que vai abrindo caminho para iniciativas de privatização da educação pública, como já tem acontecido. 
“Esse cenário ajuda a explicar fenômenos como o chamado 'apagão de professores' e o aumento da violência nas escolas, tanto entre estudantes quanto contra docentes. Ao incentivar a ideia de que a escola é inimiga, estes projetos atacam justamente uma das instituições mais importantes para a transformação social, colocando a educação pública em situação de ameaça", elucidou a professora.
Nesta terça-feira (16/6), a programação contemplou as comunicações orais voltadas às áreas de Ensino, Extensão, Pesquisa, Pibid e Relatos de Estágio, realizadas na sala 25 do bloco Administrativo, nas salas 001 e 003 do bloco G e nas salas 1 e 3 do Lapel, no bloco E. O dia também contou com o workshop em inglês “Have you ever seen the rain?”.
Na quarta-feira (17/6), o destaque foi a palestra do professor doutor Rildo Cosson, pesquisador do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Linguagem da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A conferência “Há lugar para a escrita e leitura literária na cultura digital?” ocorreu no Auditório Edson Rodrigues, no bloco P.
A quinta-feira (18/6) reúne uma programação diversificada. Pela manhã, das 9h às 11h, Rildo Cosson participa de uma roda de conversa sobre o ensino da escrita em tempos de inteligência artificial, voltada a professores, estudantes e pesquisadores da área. À tarde, a professora doutora Maria Aparecida Rita Moreira, da Associação de Educadoras/es Negras/os de Santa Catarina e do grupo Literalise, da UFSC, ministra a oficina “Literatura negra – sementes de resistência”, para professores convidados da Comunidade de Aprendizagem da Unesc.
Ainda na quinta-feira, no período noturno, o professor e escritor Anderson Alves compartilha experiências na conversa “Dos diálogos possíveis às escrevivências: protagonismos educativos na escrita que transforma”, seguida do tradicional sarau literário, que promove integração e expressão artística entre os participantes.
O encerramento do Selep acontece na sexta-feira (19/6), com a conferência da professora doutora Rosângela Hammes Rodrigues, da UFSC. A palestra “O domínio das práticas de leitura crítica como forma de r(existir) na sociedade” será realizada às 19h, no Auditório Edson Rodrigues, fechando uma programação dedicada ao fortalecimento da leitura, da escrita e da formação de professores.
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