Produzir alimentos saudáveis, preservar o meio ambiente, fortalecer a agricultura familiar e aproximar quem produz de quem consome. Esses foram alguns dos pilares que guiaram a realização da 1ª Fei...
Publicado por: Daniela Savi
em 26 de junho de 2026
Tempo de leitura: 8 minutos.
Produzir alimentos saudáveis, preservar o meio ambiente, fortalecer a agricultura familiar e aproximar quem produz de quem consome. Esses foram alguns dos pilares que guiaram a realização da 1ª Feira Agroecológica do Centro-Sul Catarinense, sediada nesta quinta-feira (25/6), na Unesc. O evento transformou o hall do bloco da Reitoria em um espaço de integração entre campo, cidade, conhecimento científico e saberes tradicionais, reunindo agricultores, cooperativas, pesquisadores, estudantes e comunidade regional.
Além de ser uma feira para comercialização de produtos, a iniciativa se intensificou como um espaço de diálogo sobre sustentabilidade, segurança alimentar, mudanças climáticas e desenvolvimento regional, reforçando a agroecologia como alternativa para a construção de sistemas alimentares mais justos e sustentáveis.
Ao longo do dia, o público teve a oportunidade de conhecer e adquirir hortaliças, frutas, legumes, panificados, conservas, flores e diversos outros produtos agroecológicos, além de participar de oficinas, rodas de conversa, debates e apresentações culturais.
A ação foi realizada por meio da parceria entre o Núcleo Serramar da Rede Ecovida de Agroecologia, Cooperfamília, CooperElas, Cooperserramar, Acolhida na Colônia e Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS) da Unesc, com apoio da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), por meio do Programa Alimento no Prato, e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Epagri e demais instituições parceiras.
Durante a abertura oficial, a reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, destacou o simbolismo de sediar a primeira edição da Feira justamente durante a semana de aniversário da Universidade.
Segundo ela, iniciativas como essa ratificam o compromisso da Instituição comunitária com a formação cidadã e com a transformação social. “Temos trabalhado diariamente pelo fortalecimento da extensão, da cultura, do esporte e das ações comunitárias. Receber esta Feira é muito representativo, especialmente por aproximar nossos estudantes da realidade e da importância da agricultura familiar para a sociedade”, ressaltou.
Gisele ainda enfatizou que a formação acadêmica na Unesc ultrapassa a dimensão técnica. “Nosso compromisso é formar profissionais diplomados, mas também cidadãos conscientes do seu papel no mundo. A curricularização da Extensão faz com que os estudantes tenham contato direto com diferentes realidades e se sensibilizem com outras formas de viver”, afirmou. 
Para o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Socioeconômico (PPGDS) da Unesc, Dimas de Oliveira Estevam, a Feira representa o fortalecimento de uma caminhada iniciada há mais de 20 anos na Universidade.
De acordo com ele, a Instituição mantém, desde 2005, ações voltadas à economia solidária e à agroecologia, como a tradicional Feira de Economia Solidária, realizada semanalmente no campus.
“Esta primeira Feira Agroecológica marca uma trajetória muito forte da agroecologia na região. Este é um momento importante para reunir pessoas, trocar experiências e ampliar o debate sobre temas urgentes, como as mudanças climáticas e a necessidade de transformações culturais relacionadas ao consumo e ao estilo de vida”, destacou ele, que também coordena a Feira de Economia Solidária, que ocorre todas às quartas-feiras, na Unesc.
Conforme Dimas, a Universidade é um espaço privilegiado para promover discussões que envolvam desenvolvimento sustentável e inserção social. “Não existe lugar mais apropriado do que a Universidade para trazer esses debates e aproximá-los da sociedade”, acrescentou.
Presente no evento, o deputado estadual Padre Pedro Baldissera, representou a Assembleia Legislativa de Santa Catarina e enfatizou que a agroecologia vai além da produção de alimentos. “Quando falamos em agroecologia, falamos de relações humanas, de diálogo, de cooperação e de construção coletiva. É muito mais do que alimento. É um modo de ser, de agir e de se relacionar com as pessoas e com a natureza”, salientou.
O parlamentar também destacou o protagonismo feminino no setor. “Não há agroecologia sem a presença das mulheres. Elas são fundamentais para essa construção e para o fortalecimento desse modelo produtivo”, pontuou.
Esse protagonismo esteve representado na fala da presidente da CooperElas, Loiva Perdoná. Segundo ela, a cooperativa nasceu do desejo de criar oportunidades para mulheres agricultoras e fortalecer sua autonomia econômica.
“A CooperElas nasceu do sonho de criar um espaço capaz de acolher e fortalecer as mulheres agricultoras. Muitas vezes, os sonhos ficam adormecidos pela falta de oportunidades e de espaços de comercialização. Nossa cooperativa surge justamente para valorizar o trabalho feminino, promover autonomia e construir, de forma coletiva, novas possibilidades para as mulheres do campo”, afirmou Loiva.
Produção sustentável e políticas públicas
O superintendente federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) em Santa Catarina, José Fritsch, ressaltou a importância da produção de alimentos sem agrotóxicos e da ampliação de práticas sustentáveis no meio rural. 
Para ele, eventos como a Feira Agroecológica cumprem um papel essencial ao aproximar produtores e consumidores, valorizar o trabalho desenvolvido no campo e ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância da alimentação saudável. “Quando fortalecemos a agricultura familiar e a produção agroecológica, fortalecemos também o desenvolvimento regional, a segurança alimentar e a preservação ambiental”, completou.
Já o gerente regional da Epagri, Edson Borba, reforçou a necessidade de aproximar produtores e consumidores. “Trazer quem produz para perto de quem consome, especialmente dentro de um ambiente de ensino, pesquisa e extensão, é extremamente importante. O alimento não pode ser tratado apenas como mercadoria. Ele representa cultura, identidade e história”, afirmou.
Borba também destacou que o Sul catarinense concentra o maior número de produtores orgânicos certificados do estado, evidenciando a força regional da agroecologia.
Representando o Núcleo Serramar, Reinaldo de Souza lembrou que a Rede Ecovida reúne aproximadamente três mil famílias certificadas, evidenciando a dimensão e a relevância do movimento agroecológico no Sul do Brasil.
Para a representante da Universidade Federal da Fronteira Sul, Inês Burg, acompanhar o fortalecimento dessas iniciativas é motivo de celebração. “Sempre é gratificante ver esse trabalho produzindo frutos. Essa diversidade é reconfortante e representa um importante estímulo para o fortalecimento da agroecologia”, comentou.
Entre os parceiros presentes, a Cresol também reforçou seu apoio à agricultura familiar e à agroecologia. O representante da cooperativa, Dilnei da Rosa, destacou que eventos como a Feira contribuem para fortalecer redes de cooperação e ampliar as oportunidades para os produtores rurais. “O agricultor produz com qualidade, mas necessita de espaços coletivos para apresentar seus produtos, trocar conhecimentos e fortalecer a comercialização. Que esta seja apenas a primeira de muitas edições”, ressaltou.
O representante da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também esteve presente e falou da importância da ação.
Programação integrou conhecimento, cultura e troca de experiências
Além da comercialização de produtos agroecológicos, a Feira contou com uma extensa programação voltada à formação, ao debate e à valorização cultural. Durante todo o dia, estudantes, agricultores e comunidade participaram de oficinas práticas, apresentações artísticas e mesas de debate sobre temas estratégicos para o fortalecimento da agroecologia.
Entre as atividades realizadas estiveram oficinas sobre bioinsumos e compostagem, turismo de base comunitária, arte indígena e o uso de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc) na alimentação cotidiana. A programação também abriu espaço para apresentações musicais, manifestações culturais indígenas e momentos de troca de saberes entre produtores, consumidores e pesquisadores.
Um dos pontos altos da programação foi a palestra seguida de debate sobre “Agroecologia, Emergência Climática e Mercados”, conduzida pelo professor do PPGDS da Unesc, Dimas de Oliveira Estevam, e pelo professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Antônio Andrioli.
Tags:
Copyright 2026 © UNESC. Todos los derechos reservados. | Política de privacidad