O Centro de Memória e Documentação (Cedoc) da Unesc reuniu na manhã desta terça-feira (31/3), gestores, professores e autoridades para marcar o início de uma proposta que projeta impacto direto na ...
Publicado por: Marciano Bortolin
em 31 de março de 2026
Tempo de leitura: 4 minutos.
O Centro de Memória e Documentação (Cedoc) da Unesc reuniu na manhã desta terça-feira (31/3), gestores, professores e autoridades para marcar o início de uma proposta que projeta impacto direto na formação de estudantes no Extremo Sul do estado. O lançamento do projeto “Educação Ambiental e Patrimonial na Região do Vale do Araranguá” inaugura um ciclo de ações que conecta escolas, Universidade e comunidade em torno do eixo formativo que integra meio ambiente e cultura.
Conduzida pelo Cedoc, a iniciativa estabelece um percurso que integra Ensino, Pesquisa e Extensão, em municípios como Araranguá, Sombrio, Maracajá,Meleiro, Balneário Arroio do Silva e Balneário Gaivota. A proposta envolve oficinas, atividades pedagógicas e registro de saberes tradicionais, estruturando um conjunto de ações que aproxima o conhecimento científico das práticas culturais locais.
A reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, situa a iniciativa como parte de uma estratégia formativa que amplia a presença da educação ambiental desde a base. “Vivemos um tempo em que os recursos naturais estão cada vez mais ameaçados, e trabalhar essa pauta na educação básica é essencial no processo formativo dos nossos estudantes. A Universidade garante presença nesse território diante da importância da formação estruturada na ciência, na Pesquisa e na Extensão”, completa.
O projeto mobiliza cerca de 600 alunos com atuação direta em escolas estaduais. A estrutura prevê que as próprias unidades escolares definam as temáticas a serem trabalhadas, o que amplia o diálogo com as realidades locais.
A ação se tornou possível por meio de emenda parlamentar de R$ 250 mil da deputada estadual, Luciane Carminatti. “É um projeto maravilhoso, que dialoga com diferentes realidades e permite que as próprias escolas definam as temáticas a serem trabalhadas”, afirma.
Entre os temas, estão abelhas sem ferrão, hortas escolares, ciclo da água, reciclagem, compostagem e saberes comunitários. Para a parlamentar, o debate ambiental exige uma abordagem integrada. “Não existe debate ambiental sem considerar os saberes populares, o patrimônio cultural e a história das comunidades. Não há meio ambiente sem cultura”, pontua a parlamentar.
O projeto estabelece duas frentes principais: a realização de oficinas nas escolas e a coleta audiovisual de práticas culturais preservadas nas comunidades. O coordenador do Cedoc e da atividade, Paulo Osório, salienta a integração entre patrimônio cultural e meio ambiente como eixo estruturante.
“Trabalhamos a perspectiva de que não existe patrimônio cultural dissociado do meio ambiente. Os saberes tradicionais estão diretamente ligados aos elementos naturais que compõem o território”, explica.
As atividades se distribuem ao longo do primeiro e do segundo semestre de 2026, envolvendo cerca de 30 professores e estudantes do Ensino Fundamental e Médio. A coleta audiovisual busca identificar práticas e conhecimentos que ainda persistem no tecido social da região.
“Uma prática artesanal, como a confecção de redes, canoas ou cestarias, depende diretamente da existência de um ambiente preservado. Essas dimensões caminham juntas”, finaliza Osório.
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