Semana de Ciência e Tecnologia

Como a 17ª Semana de Ciência e Tecnologia da Unesc transforma jovens pesquisadores

Apresentações de trabalhos de iniciação científica reúem estudantes da rede pública de ensino e da graduação com avaliadores de grandes universidades do Sul do país.

Décio Batista

Publicado por: Décio Batista

em 27 de outubro de 2026

Tempo de leitura: 6 minutos.

Como a 17ª Semana de Ciência e Tecnologia da Unesc transforma jovens pesquisadores

 

Na 17ª edição da Semana de Ciência e Tecnologia (SCT), o campus da Unesc é o palco principal onde bolsistas do Programa Internacional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) apresentam os frutos de meses de dedicação.

Mas o alcance vai além dos domínios acadêmicos habituais, e o movimento ganha rostos, nervosismo, ensaios de última hora e, acima de tudo, o entusiasmo típico de quem está descobrindo que pode transformar o mundo ao seu redor por meio da Pesquisa. Há uma energia singular que toma conta dos corredores universitários quando o conhecimento acadêmico deixa as salas de aula e ganha vida em outros espaços.

Do ensino público ao laboratório

Quem percorre as sessões de apresentação observa a diversidade do público. Ao lado dos universitários de áreas tradicionais como Medicina, Engenharia, Direito e Educação, estão adolescentes vestidos com uniformes escolares. Trata-se dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic Júnior), uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que aproxima estudantes da educação básica da prática científica.

A coordenadora do evento, Gislaine Zilli Réus, explica que essa porta está aberta para toda a comunidade escolar. "Os estudantes do Pibic Júnior que apresentam seus trabalhos podem vir de qualquer escola da rede estadual de ensino. Essa integração democratiza o acesso ao universo acadêmico, mostrando a jovens antes distantes da universidade que o caminho do conhecimento também lhes pertence", pontua a coordenadora.

Para garantir o rigor e a evolução do aprendizado, as pesquisas passam pelo crivo de uma banca qualificada. "As sessões são avaliadas por docentes dos nossos programas de pós-graduação e por avaliadores externos, que precisam ser bolsistas de produtividade", explica Gislaine.

Entre os examinadores presentes, destacam-se professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com representantes dos campi de Araranguá e Florianópolis, além de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul).

Quando o avaliador se enxerga no aluno

Para quem está do outro lado, na avaliação, a experiência muitas vezes desperta memórias profundas. É o caso do professor Rafael Mariano de Bittencourt. Egresso da Unesc, onde se formou na segunda turma do curso de Farmácia, ele seguiu carreira na pós-graduação e hoje atua como pesquisador em neurociências no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS), da Unisul.

"Voltar ao campus onde dei meus primeiros passos na graduação traz um sentimento inevitável de nostalgia e esperança. Gosto muito de participar desse tipo de evento porque me vejo um pouco nos alunos. Ver esses alunos apresentando seus ótimos trabalhos, nervosos com aquele brilho nos olhos, e passando por essa experiência de aprendizagem, me deixa cheio de esperança como pesquisador. São pesquisas muito importantes e interessantes, relacionadas à nossa região. É muito bacana quando a ciência serve à comunidade local", relatou o professor.

Reconhecimento e excelência de fora para dentro

A qualidade dos projetos apresentados e a estrutura organizacional do evento também chamaram a atenção de quem veio de fora com a missão de avaliar. A professora Débora de Oliveira, do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), fez questão de enfatizar o alto nível das produções acadêmicas.

"Agradeço o convite para participar deste belíssimo evento e parabenizar toda a comissão organizadora pelo evento, pelo padrão rigoroso, pela relevância social dos temas abordados pelos participantes e pela variedade de atividades", declarou Débora.

Ciência como instrumento de justiça e igualdade

Mais do que formar profissionais técnicos, iniciativas como a SCT cumprem o papel fundamental de edificar a cidadania. Essa é a visão defendida pelo docente da UFSC, presidente do Conselho Regional de Biologia de Santa Catarina (CRBio-09) e representante também do Conselho Federal de Biologia (CFBio), Glauber Wagner.

O presidente reforça que o apoio institucional ao evento é indispensável para criar um ciclo sustentável de desenvolvimento social e econômico. "O Conselho Federal e o Conselho Regional de Biologia sempre apoiam iniciativas desse tipo por entenderem que a ciência faz parte da construção de uma sociedade mais igualitária e justa. Reconhecemos a importância da ciência e do desenvolvimento do jovem pesquisador, da graduação ao doutorado e ao pós-doutorado, para que ele possa se tornar um professor ou um profissional capacitado para o mercado, atuando de forma efetiva e sempre embasado no conhecimento científico", afirma Wagner.

Agradecimento institucional

Após as atividades, a reitoria da Unesc ofereceu um almoço aos avaliadores convidados na sala de reuniões. Os pró-reitores Vanessa Moraes de Andrade, Graziela Fátima Giacomazzo e José Otávio Feltrini foram os anfitriões. Em seguida, os professores visitantes participaram de uma reunião em que foi apresentado um vídeo institucional e realizada uma conversa de avaliação sobre as atividades da manhã.

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