O comércio representa 33,9% do Valor Adicionado Fiscal (VAF) de Santa Catarina, segundo dados analisados pelo InovaSul, estudo desenvolvido pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Ino...
Publicado por: Daniela Savi
em 24 de setembro de 2026
Tempo de leitura: 6 minutos.
O comércio representa 33,9% do Valor Adicionado Fiscal (VAF) de Santa Catarina, segundo dados analisados pelo InovaSul, estudo desenvolvido pelo Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc. Em 2023, o Estado registrou R$ 439,5 bilhões em VAF. Desse total, a indústria respondeu por aproximadamente 41%, enquanto o comércio, com 33,9%, apresentou a segunda maior participação na composição do Valor Adicionado Fiscal catarinense.
Os dados integram o InfoBook Comércio, elaborado pelo Observatório, e foram apresentados nesta terça-feira (22/9), durante o RetailTech CRIO – Inovação e Futuro do Varejo, realizado no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). O encontro reuniu lojistas, microempreendedores, empresários, representantes de entidades, professores e trabalhadores da Unesc para discutir os desafios e as oportunidades para o desenvolvimento do comércio no Sul de Santa Catarina.
Criciúma aparece entre os dez municípios catarinenses com maior número de empresas do setor. São 1.914 estabelecimentos, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2025. O município fica atrás de Florianópolis, Joinville, Blumenau, São José, Balneário Camboriú, Itajaí e Chapecó, e à frente de Palhoça e Brusque no levantamento.
O comércio também tem participação expressiva na geração de empregos em Criciúma. O estudo contabiliza 11.492 postos formais no setor em 2025, colocando o município entre os dez catarinenses com maior número de empregos no comércio.
O diagnóstico mostra que o comércio regional passa por mudanças relacionadas ao comportamento dos consumidores, ao crescimento das vendas on-line, à transformação digital e à necessidade de qualificação dos profissionais.
Entre os desafios apontados pelos representantes do setor estão a dificuldade de atrair e reter mão de obra, a pressão sobre preços e margens, a concorrência do comércio eletrônico, a gestão empresarial, o crédito, a inadimplência, a tributação e a logística.
A pesquisa também mostra que a competição baseada exclusivamente em preço tende a perder espaço diante de outras formas de diferenciação. Especialização, qualidade, conhecimento técnico e atendimento personalizado aparecem entre os caminhos apontados pelos participantes para fortalecer os negócios.
“O nosso observatório, com os seus cientistas de dados e analistas, possui competência para propor vários projetos a partir dos dados obtidos, mas entendemos que, quando os principais atores participam do processo, o documento final fica mais rico e é propriedade de todos”, destaca a gerente de Inovação e Empreendedorismo da Unesc e gestora do CRIO, professora doutora Elenice Padoin Juliani Engel.
Entre as oportunidades identificadas pelo InovaSul Varejo está justamente a capacidade do comércio físico de transformar a proximidade com o consumidor em diferencial. Os representantes ouvidos pelo estudo destacaram relacionamento, atendimento personalizado e experiência de compra como elementos importantes para a fidelização.
A tecnologia também aparece como parte desse processo. A presença digital, o uso de inteligência artificial, ferramentas de relacionamento com clientes e a integração entre canais físicos e digitais são apontados como oportunidades para os negócios. Ao mesmo tempo, o estudo destaca a necessidade de conhecer o perfil, as preferências e a jornada de compra dos consumidores para orientar decisões.
Outro ponto identificado é a especialização. Os participantes apontaram qualidade, conhecimento técnico e capacidade de oferecer informações sobre os produtos como diferenciais importantes diante do comércio eletrônico.
O coordenador do Observatório de Desenvolvimento Socioeconômico e Inovação da Unesc, professor doutor Afonso Valau de Lima Junior, explica que o trabalho combina dados e a percepção de quem atua diretamente no setor.
“O nosso papel, enquanto Observatório, não é simplesmente apresentar números ou entregar um diagnóstico pronto. Nós utilizamos os dados para compreender o território, mas fazemos questão de colocar esses resultados em diálogo com quem vive o comércio todos os dias. Primeiro, ouvimos o setor para identificar os principais desafios e oportunidades. Agora, retornamos com essas informações sistematizadas para construir caminhos concretos para o desenvolvimento da atividade”, explica.
A percepção dos participantes aponta para um comércio regional mais especializado, tecnológico e conectado às necessidades dos consumidores. O estudo não indica o desaparecimento das lojas físicas, mas uma mudança no modelo tradicional de atuação, com maior integração entre os ambientes presencial e digital.
Nesse cenário, atendimento humanizado, personalização, experiência de compra, conhecimento técnico, tecnologia e profissionalização da gestão aparecem entre os fatores considerados importantes para a sustentabilidade dos negócios. A cooperação entre empresários, o turismo, os eventos e o fortalecimento do comércio regional também são citados como oportunidades.
O estudo elaborado pelo InovaSul reúne ainda diretrizes estratégicas voltadas ao capital humano e à qualificação profissional, competitividade e experiência do cliente, transformação digital e inteligência de mercado, inovação e novos modelos de negócio, além de cooperação e fortalecimento do comércio regional.
O InovaSul é uma iniciativa da Unesc voltada ao estudo de tendências econômicas e à identificação de oportunidades para inovação em produtos, processos e novos negócios nas regiões da Amesc e da Amrec. O projeto é financiado por meio de Termo de Fomento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), reúne mais de 300 empresas e promove dez fóruns regionais.
A metodologia do estudo combina revisão bibliográfica e documental, análise socioeconômica, netnografia, pesquisa com empresas, desenvolvimento de diretrizes e construção de uma vitrine de oportunidades.
Além do comércio, o InovaSul contempla outros setores estratégicos das regiões, como agronegócio, cerâmico, metalmecânico, confecção, químico, mineral, plástico, tecnologia e turismo. A proposta é aproximar Universidade, setor produtivo, entidades e poder público para transformar dados e percepções em estratégias voltadas ao desenvolvimento regional.
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