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Projeto Afrodesign resgata tecnologias africanas em oficinas

Atividades abordam técnicas de produção têxtil, herança cultural e afroempreendedorismo

em 26 de outubro de 2026

Tempo de leitura: 4 minutos.

Projeto Afrodesign resgata tecnologias africanas em oficinas

A pesquisa sobre tecidos de 15 países africanos orienta o projeto Afrodesign, desenvolvido pela Unesc em parceria com o Clube União Operária, em Criciúma. A iniciativa promove três oficinas nos dias 24 de outubro, 14 e 21 de novembro, com atividades práticas de produção têxtil e uma etapa dedicada ao afroempreendedorismo.

A primeira oficina, realizada no último sábado (24/10), abordou os tecidos adinkra e os conhecimentos históricos, matemáticos e químicos envolvidos na produção. As atividades integram um projeto de Extensão contemplado em edital da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão (Propiex), com participação do curso de Design e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Universidade.

“Por trás de cada tecido existe um contexto tecnológico, um significado relacionado às cores e aos traços. É possível perceber o conhecimento matemático e químico envolvido na produção, especialmente no uso de corantes naturais, muitas vezes extraídos do próprio solo”, explica a  coordenadora do Neabi, Normélia Ondina Lalau de Farias.

A pesquisa também aborda a apropriação de conhecimentos africanos durante o processo de colonização e a escravização de povos do continente. “O reconhecimento dessas tecnologias contribui para combater a visão histórica que atribuiu aos africanos e descendentes uma suposta ausência de conhecimento”, acrescenta.

Pesquisa e formação antirracista

O projeto tem duração de dois anos e prevê o estudo da origem dos tecidos africanos e da influência dessas tradições na produção afro-brasileira. A programação inclui atividades manuais de estamparia, experimentação de técnicas têxteis e oficina sobre possibilidades de geração de renda a partir do conhecimento cultural.

A escolha do Clube União Operária para sediar as atividades também destaca a relação entre a proposta acadêmica e a história da população negra do Sul catarinense. O espaço é reconhecido pela trajetória de luta e resistência e pela contribuição à organização comunitária.

“A educação precisa ser libertadora, como defendia Paulo Freire. Essa liberdade começa quando conhecemos a história e reconhecemos os conhecimentos que foram negados ao longo do tempo”, afirma Normélia.

Já a presidente do Clube União Operária, Iara Odila Nunes Costa, salienta que o local  é um espaço de resistência, construído com a luta dos antepassados. “Por isso, é importante receber iniciativas como essa. O clube não é apenas um espaço de dança, entretenimento e diversão, mas também de cultura e educação. As oficinas são importantes porque falam sobre a nossa história, o continente africano, a produção cultural e os conhecimentos que ainda não recebem a visibilidade necessária”, cita.

Conhecimento aplicado ao design

O coordenador do curso de Design, João Rieth, explica que a pesquisa investiga a função simbólica dos tecidos e os significados transmitidos por cores, formas e estampas. O estudo considera referências de 15 países africanos relacionados à origem de povos escravizados no Brasil.

Na próxima etapa, que ocorre no dia 14 de novembro, a programação terá continuidade com atividades relacionadas às técnicas de produção têxtil. O encerramento, em 21 de novembro, abordará o empreendedorismo e as possibilidades de aplicação dos conhecimentos pesquisados no desenvolvimento de produtos.

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