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Unesc sedia o primeiro Seminário do Fórum do Autismo de Criciúma

Em um ato que une afeto, ciência e a busca incansável por direitos, a Unesc transformou-se no palco de um marco histórico. O Auditório Edson Rodrigues sediou, na noite desta quinta-feira (25/6), o ...

Décio Batista

Publicado por: Décio Batista

em 25 de junho de 2026

Tempo de leitura: 7 minutos.

Unesc sedia o primeiro Seminário do Fórum do Autismo de Criciúma

Em um ato que une afeto, ciência e a busca incansável por direitos, a Unesc transformou-se no palco de um marco histórico. O Auditório Edson Rodrigues sediou, na noite desta quinta-feira (25/6), o primeiro evento oficial do Fórum Permanente Municipal do Transtorno do Espectro Autista (TEA) de Criciúma. O seminário, realizado em uma parceria com a Diretoria de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias (Dirext), abordou a temática “A Transição da Adolescência para a Vida Adulta”.

O espaço reuniu uma rede diversa e profundamente interligada: familiares, pessoas no espectro, profissionais das áreas da saúde e da educação, entidades especializadas, além de vereadores e ex-vereadores.

Um espaço democrático e de acolhimento

Conforme relata a coordenadora geral do Fórum Permanente Municipal Autismo, Ana Regina da Silva Losso, a mobilização que resultou no encontro teve início ainda em 2022, com reuniões mensais que plantaram a semente da articulação social. A consolidação definitiva, no entanto, veio em 2025, com a promulgação da lei municipal de criação do fórum.

"Hoje nós estamos fazendo o primeiro evento oficial do Fórum, que é o nosso primeiro seminário para as pessoas com transtorno do espectro autista. Esta noite cumpre o papel importante de divulgar a realidade do espectro e estender a mão à sociedade. Esse é um dos eventos que elaboramos para contribuir com a comunidade, para divulgar a situação das pessoas que estão no espectro autista e chamá-los para que venham participar do Fórum, que é um espaço democrático de discussão, de elaboração, de proposição de políticas públicas, aprendizado e criação de conhecimento", explicou a coordenadora.

Ana também fez um alerta sensível sobre um elo muitas vezes invisibilizado nessa rede: as mães, pais e responsáveis pelo suporte diário. "Os cuidadores também precisam de cuidado. Eles normalmente têm uma sobrecarga emocional bastante importante. Na atualidade, com esse avanço dos transtornos mentais, é fundamental pensarmos nos cuidadores como pessoas que estão em um adoecimento, que precisam de amparo", acrescentou.

A Ciência com Propósito

Representando a reitora em exercício Gisele Coelho Lopes, a pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Autismo e Neurodesenvolvimento (Land), Cinara Ludvig Gonçalves, demonstrou como o empenho científico se alia à sensibilidade humana para impactar a vida real.

Inserido no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Universidade, o Land atua desde 2019 na formação de pesquisadores, mestres e doutores dedicados a gerar evidências científicas sólidas. O foco do laboratório é fundamentar as discussões em dados palpáveis, reais e creditáveis, fugindo de suposições e construindo caminhos seguros para a inclusão.

"Este seminário é, sem dúvida, um marco que representa o quão preocupada a nossa instituição está em levar para a comunidade e em gerar esses espaços de trocas aqui dentro. Locais que de fato promovam a melhora da qualidade de vida, focando na inclusão, nos direitos da pessoa autista, tudo com muito respeito, com muita educação e olhando para todas as esferas da sociedade”, destacou.

Como explica a pesquisadora, a atuação do grupo é abrangente. "Atuamos desde a chamada pesquisa básica, que investiga o funcionamento e a raiz biológica das diferenças no funcionamento cerebral da pessoa autista no nível micro, até ações práticas de transferência desse conhecimento para o cotidiano. A nossa pesquisa também se estende aos cuidadores, buscando entender suas necessidades de forma integral", concluiu Cinara.

Barreiras conceituais e o olhar além da infância

Uma das principais barreiras conceituais desmistificadas no seminário foi a ideia de que o autismo se restringe aos primeiros anos de vida. Essa realidade foi trazida em destaque pela coordenadora do Centro Especializado em Reabilitação (CER II) da Unesc, Tatiane Vanessa Rodrigues.

"O autismo não acontece só na infância. Ele também não tem cura; acompanha e permanece como característica na vida da pessoa por todo o tempo que ela viver. É muito importante o Fórum trazer a temática, discutindo também as questões da adolescência e da vida adulta, que ainda precisam de um olhar mais apurado, tanto na construção de uma rede de atendimento na área da saúde como também na construção de políticas públicas", destacou Tatiane.

Para a coordenadora, ver o seminário repleto de representantes da sociedade civil e da política é um incentivo para o futuro do projeto. "A Universidade ajudou tanto na construção, como cedendo espaço e dando apoio acadêmico. Ver a participação de vereadores, da comunidade, de profissionais da saúde e educação, e ex-vereadores mostra que todo mundo deu um pouquinho de si na construção desse Fórum. Para nós, é motivo de muito orgulho e de fortalecimento dessa parceria", comemorou.

Atuação prática e apoio familiar

O CER Unesc atua diretamente no fechamento de diagnósticos em casos suspeitos apontados por familiares, escolas ou unidades básicas de saúde, mobilizando uma equipe multiprofissional qualificada. O Centro também realiza a reabilitação de crianças e adolescentes com TEA nível de suporte 1.

Reconhecendo que o bem-estar do autista está diretamente ligado à saúde emocional de sua família, a Universidade também mantém, por meio do programa Acolher, o projeto "Abraço que Acolhe", voltado ao acolhimento e suporte psicológico dos cuidadores.

Ciclo de palestras e relatos de vida

Após as falas das autoridades presentes, foi realizado um ciclo de palestras dinâmicas, com apresentações de 20 minutos seguidas por rodadas de perguntas da platéia.

Participaram os convidados Luana da Costa, que abordou o tema “Vida adulta no autismo: preparar a pessoa ou transformar o ambiente?”; Ana Carolina Leite Moreira, que dissertou sobre “A transição da adolescência para a vida adulta”; e Isadora Marcello, que encerrou o ciclo apresentando a temática “Nutrição no Transtorno do Espectro Autista: seletividade alimentar e saúde intestinal”.

Histórias de protagonismo

O evento contou ainda com o painel “A vida como ela é”, que trouxe um relato emocionante sobre a trajetória pessoal e a expressão artística de Vitor Hugo Ronsani Niehues. A convidada Adaiana de Souza compartilhou sua experiência multifacetada como pessoa autista, mãe e empreendedora.

A reflexão sobre inclusão e atuação profissional voltada ao TEA foi o tema defendido por Adrielli de Souza Hipólito, enquanto Ana Paula Rabello Gonçalves relatou sua vivência com o ativismo, a conscientização e a defesa dos direitos das pessoas autistas.

O encerramento do encontro ficou a cargo de Mauri Meira, que emocionou o público com a declamação do texto “O Louco”, de autoria de Khalil Gibran.

Serviço

As reuniões do Fórum são abertas ao público e ocorrem em todas as primeiras quintas-feiras de cada mês, na sala 004 do Bloco 21A da Unesc.

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