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Unesc contribui com Plano Estratégico e Selo de Exclusividade para o setor cerâmico de Morro da Fumaça

O Arranjo Produtivo Local (APL) de Cerâmica Vermelha de Morro da Fumaça deu um passo decisivo para garantir sua longevidade e competitividade. Um novo relatório de planejamento estratégico, constru...

Décio Batista

Publicado por: Décio Batista

em 5 de março de 2026

Tempo de leitura: 6 minutos.

Unesc contribui com Plano Estratégico e Selo de Exclusividade para o setor cerâmico de Morro da Fumaça

O Arranjo Produtivo Local (APL) de Cerâmica Vermelha de Morro da Fumaça deu um passo decisivo para garantir sua longevidade e competitividade. Um novo relatório de planejamento estratégico, construído com base na metodologia de Prospectiva Territorial, acaba de ser apresentado aos empresários do setor como o guia que orientará as decisões públicas e privadas do segmento para os próximos 20 a 30 anos.

O projeto é fruto de uma cooperação técnica de alto nível. O APL foi elaborado pelos proponentes: Sindicato da Indústria Cerâmica Vermelha de Morro da Fumaça (Sindicer), Instituto Prospectiva (Inspro), Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

União de forças e parcerias locais

Para que o planejamento saísse do papel, foi fundamental a articulação com parceiros estratégicos da região, como a Cooperativa de Exploração Mineral da Bacia do Rio Urussanga (Coopemi), a Unesc, o Sebrae, o Laboratório de Cerâmica Vermelha (Labcer) e a Olaria das Artes. O trabalho contou, ainda, com o apoio técnico da Rede APL Mineral e da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Computação Científica (FACC).

Para Alexandre Zacaron, diretor executivo do Sindicer, essa rede é a resposta para superar crises históricas.
"Buscamos nessa oportunidade soluções para o desenvolvimento do arranjo produtivo local de cerâmica vermelha. O setor vem enfrentando crises constantes e a nossa intenção é buscar a longevidade do segmento. Sozinho eu vou mais rápido, mas juntos nós vamos mais longe. Quanto mais empresas aderirem, maior a possibilidade de termos um setor duradouro", afirma.

Ciência a serviço do desenvolvimento

A viabilização deste planejamento ataca o principal gargalo do setor: a descontinuidade. Para o coordenador da Rede Brasileira de APLs de Base Mineral, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Elzivir Azevedo Guerra, o plano garante estabilidade.

"Realizando um planejamento de 20 a 30 anos, o problema da descontinuidade das ações desaparece, pois todos os atores ficam comprometidos com um objetivo comum", destaca.

O coordenador do projeto e chefe do Laboratório de Energia do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Joaquim Augusto Rodrigues, reforça o sentimento de dever cumprido: "O Instituto fica muito satisfeito em colaborar com o pessoal de Morro da Fumaça, junto ao Sindicer e à Unesc, para mostrar a importância econômica desse APL para o desenvolvimento da cidade".

A pesquisa como diferencial

Um dos pontos altos do planejamento é o foco na Indicação Geográfica (IG), um selo de exclusividade que reconhece produtos únicos de um território. Em Morro da Fumaça, o diferencial é a transformação da argila preta em produtos de cor branca após a queima, um fenômeno raro que agora possui validação científica.

A Unesc desempenha papel central nesta inovação. Segundo a pró-reitora de Ensino, Graziela Fátima Giacomazzo, a Universidade integra a rede com pesquisas de ponta: "Nossas pesquisas, realizadas por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM), trazem tecnologia e inovação para elevar a qualidade da cerâmica vermelha e garantir que o planejamento se efetive na prática, tornando a Universidade uma referência no conhecimento produzido".

O projeto nasceu de uma iniciativa coordenada pelo professor Fabiano Raupp Pereira, via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que levou a demanda de governança do setor cerâmico diretamente ao MCTI, em Brasília.

Segundo Raupp, o objetivo central foi retomar o movimento de organização do setor em Morro da Fumaça, que estava enfraquecido desde 2012. "A articulação resultou no aporte de recursos oriundos do MCTI, viabilizando a atuação do INT e do Inspro para executar o planejamento ao longo de 18 meses, com a colaboração de cinco mestrandos da Unesc: Grasiele Amoriso Benedet, Emily Saviatto, Wagner Benedet Rebelo, Paulo Fernandes e Silvia Sartor Roseng, todos filhos de ceramistas da região", detalhou o professor.

Protagonismo acadêmico

Ainda conforme o pesquisador do PPGCEM, a pesquisa acadêmica, especialmente a de Grasiele, agora doutoranda, deu o embasamento científico para a Indicação Geográfica (IG). “O estudo explica a fundamentação teórica da 'cerâmica branca', unindo o saber prático dos ceramistas locais à comprovação técnica de que o processo e as características minerais são exclusivos de Morro da Fumaça”, concluiu.

A base científica dessa ‘rota da cerâmica branca’ está sendo consolidada pela pesquisadora Graziele, cujos estudos fundamentam o pedido de IG. "Quis trazer a experiência do ceramista para a parte teórica. É uma honra colocar meu estudo para auxiliar o setor a entender como essa matéria-prima reage no forno e se transforma em material branco", explica a doutoranda.

Um guia para a ação

O relatório final funciona como um instrumento de gestão prática, detalhando análises estruturais, governança e roteiros de implementação com métricas claras. Com a combinação de estratégia política, união empresarial e rigor acadêmico, Morro da Fumaça se posiciona agora como um polo de inovação mineral com identidade reconhecida nacionalmente.

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