Inovação

Unesc amplia debate sobre inovação ao aproximar pesquisa do desenvolvimento regional

A consolidação da inovação como eixo estratégico da Unesc mobilizou pesquisadores, gestores e especialistas nesta quarta-feira (27/5), no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). O encontro promovido pe...

Marciano Bortolin

Publicado por: Marciano Bortolin

em 28 de maio de 2026

Tempo de leitura: 6 minutos.

Unesc amplia debate sobre inovação ao aproximar pesquisa do desenvolvimento regional

A consolidação da inovação como eixo estratégico da Unesc mobilizou pesquisadores, gestores e especialistas nesta quarta-feira (27/5), no Centro de Inovação Criciúma (CRIO). O encontro promovido pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade, vinculado à Agência de Desenvolvimento, Inovação e Transferência de Tecnologia (Aditt), colocou em pauta os desafios institucionais da propriedade intelectual, da transferência de tecnologia e da aproximação entre ciência, empreendedorismo e impacto regional.

A reunião estratégica institucional reuniu integrantes da reitoria, gestores acadêmicos e convidados com trajetória consolidada em desenvolvimento científico, transferência de tecnologia e governança acadêmica. A iniciativa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e integrou um seminário sobre o assunto.

A reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, resgatou a trajetória da Instituição na construção do debate sobre pesquisa aplicada, empreendedorismo e conexão com o mercado. A dirigente destacou que o debate, naquele momento, permanecia concentrado principalmente no curso de Administração. “Falar de inovação e empreendedorismo não é sobre modismo ou palestra motivacional. Estamos falando de processos, metodologias, produtos, serviços e transformação social”, ressaltou.

“Um movimento pioneiro institucional ocorreu com a criação do Núcleo de Empreendedorismo da universidade, iniciativa que abriu espaço para ampliar a discussão entre graduação, pós-graduação, Pesquisa e Extensão”, acrescentou.

Conforme Gisele, a Universidade já desenvolvia inovação antes mesmo de utilizar o termo de maneira institucionalizada. Entre os exemplos citados estiveram a criação do Parque Científico e Tecnológico (Iparque), a Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Aditt) e a consolidação dos programas de pós-graduação, historicamente conectados às demandas do território e do desenvolvimento regional.

Cultura institucional

A reitora em exercício ainda enfatizou que a produção de soluções e conhecimento aplicado não se restringe às áreas tecnológicas ou industriais, já que esse movimento também se manifesta em metodologias de ensino, processos de gestão, serviços e práticas extensionistas.

“Empreender é comportamento. Quando entendemos isso, percebemos que inovação atravessa todas as áreas do conhecimento”, citou Gisele ao destacar a criação da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão (Propiex) como marco para fortalecer a governança institucional da pesquisa aplicada e ampliar a conexão da Universidade com empresas, setor público e comunidade.

“O mundo está cada vez mais disruptivo. Precisamos olhar de forma sensível para esse contexto e compreender qual é o papel da Universidade diante dessas transformações. Não adianta produzir ciência e deixá-la na prateleira. Precisamos conectar conhecimento, pesquisa e desenvolvimento regional. Todas as dimensões acadêmicas são importantes. Precisamos trabalhar juntos para compreender por que fazemos o que fazemos e qual impacto queremos gerar”, afirmou.

Estruturação do NIT

A gerente de Inovação da Unesc, Elenice Padoin Juliani Engel, explicou que o seminário integra um edital da Fapesc voltado à reestruturação do NIT e ao fortalecimento institucional da pesquisa aplicada e da transferência de tecnologia. “Quando tratamos de inovação, falamos de oportunidades e de algo que se produz todos os dias dentro da academia, no Ensino, na Pesquisa e na Extensão”, afirmou.

Elenice destacou que a Universidade precisa reconhecer processos, metodologias e soluções desenvolvidas no cotidiano acadêmico como ativos com potencial de transferência tecnológica, muitas vezes ainda pouco percebidos institucionalmente.

Ela citou exemplos ligados a metodologias ativas, planejamento institucional e práticas extensionistas que podem se transformar em tecnologias sociais, produtos ou soluções replicáveis em outros contextos. “A Unesc produz conhecimento o tempo todo. O desafio é compreender que isso também pode ser transferido para a sociedade e para o mercado”, ressaltou.

O encontro contou com a participação e apresentação dos especialistas Ronaldo Viana Barbosa, professor do Programa de Pós-Graduação em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação da UFSC; Felipe Ávila da Silva, pesquisador ligado a projetos de inovação universitária; Reinaldo Viana Barbosa, integrante do Núcleo de Inovação Tecnológica da UFSC; e Thaielly da Silva José, pesquisadora da Unicamp com atuação em políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação.

Transferência tecnológica

Entre as principais frentes de atuação do NIT, estão a gestão da propriedade intelectual, o apoio ao registro de patentes, a proteção de ativos tecnológicos e a estruturação de estratégias de transferência de tecnologia.

O novo movimento busca ampliar a aproximação com pesquisadores e fortalecer a governança institucional sobre as inovações produzidas na Universidade. “Fomos ao encontro dos pesquisadores para entender desafios, receios e também identificar pesquisas com potencial de inovação e transferência tecnológica”, afirmou o coordenador do NIT, Paulo Priante.

Ele alertou para situações em que pesquisadores desenvolvem projetos diretamente com empresas sem mediação institucional, o que pode gerar perda de ativos tecnológicos e oportunidades estratégicas para a Universidade. 

“A criação de uma vitrine tecnológica vinculada ao site da Agência de Inovação, espaço que reunirá grupos de pesquisa, linhas de investigação e ativos tecnológicos disponíveis para futuras conexões com o mercado. A transferência de tecnologia é fundamental para que a pesquisa gere impacto concreto e também novas possibilidades de sustentabilidade institucional”, observou Priante.

 

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